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Escorpiões se escondem até dentro de casa e os jovens devem saber como agir

Maurício de Souza Lima

18/12/2019 04h00

Crédito: iStock

Foi dada a largada: de dezembro a março, especialmente por causa do calor inclemente, começa a temporada de escorpiões, animais invertebrados que, se esticassem completamente a cauda, alcançariam até uns 12 centímetros. São sinistros. Quando não perambulam à noite, disfarçados pela escuridão, eles se escondem sob pedaços de troncos e cascas de árvore. Claro, não escolhem a idade de quem irão picar, mas adolescentes são mais distraídos e, embora eu desconheça levantamento a respeito, acabam sendo vítimas bastante frequentes. Vale alertá-los e ensinar o que deve ser feito em uma emergência dessas.

E não pense que faço alerta simplesmente porque, nas férias, aumenta a chance de o jovem passear por lugares cheios de pedaços de madeira ou com a grama alta — na verdade, aviso que a grama alta até das casas em centros urbanos pode esconder o perigo para a família inteira curtindo aquele churrasco de domingo. Hoje, não é raro encontrarmos escorpiões nas grandes cidades. Não mesmo.

Voltamos ao calor: com as altas temperaturas, podem surgir baratas pela cozinha, por exemplo, e o fato é que os escorpiões são atraídos por elas. Os cuidados com o ambiente doméstico incluem muita limpeza —sem dúvida! — e manter o lixo bem fechado. No momento de descartar o saco, dar um nó bem amarrado. Qualquer frestinha nas paredes, se houver alguma, merece ser fechada sem postergar o conserto. E, por falar nisso, preciso lembrar que escorpiões adoram um entulho de obra. Então, residências em reforma podem se transformar em sua morada com facilidade.

Justamente porque o bicho anda aparecendo cada vez mais dentro de casa —casa, eu digo, no sentido figurado, porque anda dando as caras em muito apartamento também — , acaba que as vítimas costumam ser quem mais passa o tempo por lá. Ou seja, crianças, idosos e aquele adolescente largado diante de alguma tela, aproveitando o período oficial da preguiça, fora da sala de aula.

Quando ocorre a picada, a primeira sensação é de dor intensa no local, seguida de vermelhidão e inchaço. A partir daí, as reações são muito individuais, se bem que a suadeira é bem comum. Outros sentem enjoos fortes e chegam a vomitar bastante. O jeito é correr para o hospital: sim, existem casos fatais e o certo é tomar, o quanto antes, um antiveneno de escorpião aplicado por lá. Para você ter ideia, em 2017 em São Paulo, morreram mais pessoas picadas por escorpião do que por cobra.

 A dificuldade é que existem quase 2 mil espécies de escorpiões pelo mundo. Portanto, o ideal seria, caso alguém encontre o animal autor da picada, levá-lo em uma caixa para o pronto-socorro. Se não foi possível, se alguém chegou a matá-lo, que se procure tirar uma foto de celular — isso ajuda no atendimento.  Em São Paulo, o que mais aparece é o chamado escorpião amarelo, cuja picada é das mais dolorosas. Tem ainda uma variação dele no Nordeste e o escorpião marrom. São os principais, mas estão longe de serem os únicos entre nós.

Procure se informar sem perder tempo, talvez consultando a web, qual seria o centro de referência para acidentes assim em sua região. E vá para ele sem pestanejar. Ali, os profissionais de saúde saberão o que fazer, ficando de olho principalmente nos batimentos cardíacos da vítima.

Passado o susto —ou seja, depois de oferecer o antiveneno mais adequado para a espécie que supostamente desferiu o ataque — o tratamento é com analgésico. Não há muito o que fazer, apenas esperar a dor passar e o local desinchar. Na hora agá mesmo, a única coisa possível — e ainda assim pouco eficiente — é lavar com água abundante e sabão. Por favor, nada de espremer a picada com a ideia torta de que isso fará sair o veneno. Preciso alertar com veemência que o veneno de escorpião cai quase imediatamente na circulação sanguínea, enquanto a pessoa solta o meu primeiro "ai", percorrendo o circuito da cabeça aos pés. Não há o que extrair do local, já era.  Espremê-lo significa apenas perder tempo e correr risco de vida. 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Maurício de Souza Lima é hebiatra, ou seja, um clí­nico geral especializado na saúde de adolescentes. Doutor em Medicina pela Universidade de São Paulo, é autor do livro “Filhos Crescidos, Pais Enlouquecidos” (Editora Landscape), vencedor do Prêmio Jabuti em 2007.

Sobre o blog

Aqui, Maurí­cio de Souza Lima pretende abordar de maneira leve e objetiva todas as questões de saúde que podem preocupar ou despertar a curiosidade dos próprios adolescentes e dos seus pais. Aliás, prefere dizer que irá falar sobre a saúde da juventude, lembrando que oficialmente a adolescência começa aos 10 anos, mas em tempos modernos, na prática, pode se estender para bem mais de 21 anos.

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