Blog do Maurício de Souza Lima http://mauriciodesouzalima.blogosfera.uol.com.br Aqui, Maurício de Souza Lima pretende abordar de maneira leve e objetiva todas as questões de saúde que podem preocupar ou despertar a curiosidade dos próprios adolescentes e dos seus pais. Wed, 22 Jan 2020 07:00:39 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Quantos banhos será que eu posso tomar por dia? Não são tantos assim! http://mauriciodesouzalima.blogosfera.uol.com.br/2020/01/22/quantos-banhos-sera-que-eu-posso-tomar-por-dia-nao-sao-tantos-assim/ http://mauriciodesouzalima.blogosfera.uol.com.br/2020/01/22/quantos-banhos-sera-que-eu-posso-tomar-por-dia-nao-sao-tantos-assim/#respond Wed, 22 Jan 2020 07:00:39 +0000 http://mauriciodesouzalima.blogosfera.uol.com.br/?p=746

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A temperatura aumenta, somam-se as férias e o maior tempo livre para fazer um esporte, ir à praia ou à piscina ou mesmo sair andando pelas ruas sob um sol escaldante. Depois, chegando em casa suado ou com a pele brilhando, o adolescente vai parar embaixo do chuveiro. Os pais reclamam da conta de água, alavancada por essa mania de limpeza. E, por falar nisso, nos dias de hoje também existe a questão ambiental e precisamos educar os jovens sobre ela, ensinando-os a poupar esse recurso desde cedo.

Mas não estou aconselhando ninguém a ficar pingando de suor e sujo. Quero responder, aqui, a pergunta que frequentemente me fazem no consultório: doutor, quantos banhos será que eu posso tomar por dia? E a minha resposta: o ideal é, no máximo, dois. Sendo que, atenção, apenas um deles seria completo, por assim dizer.

O que chamo de banho completo é aquele em que passamos sabonete com capricho por todo o corpo. A pele, afinal, é a moradia de milhões —sim, milhões — de bactérias boas, que formam uma barreira natural de escudeiros prontos a impedir a instalação no local de outras bactérias, nem tão boas, e de fungos, até mesmo porque competem com eles em uma disputa por espaço. No entanto, parte desses micro-organismos benéficos vai embora pelo ralo do banheiro, especialmente graças ao uso do sabonete —que é, sim, muito bem-vindo, não só para espantar células mortas, odores desagradáveis, partículas de pó, poluentes do ar, excesso de suor e de sebo natural, como até mesmo mandar embora agentes infecciosos com os quais, por azar, entramos em contato. Mas, como disse, uma bela parte das tais bactérias boas escoa junto. É preciso dar um tempo, depois, para sua população se recompor, sem jogar mais espuma antes que isso aconteça. Coloque aí umas 24 horas… Se não der para esperar tanto, que ao menos se dê um intervalo de doze horas.

Quando alguém sente demais a necessidade de uma segunda ducha antes disso, recomendo que banhe o corpo apenas com água. Esse repeteco no chuveiro não pode ser longo, deve evitar o sabonete e até mesmo buchas e esponjas — as quais, aliás, se não forem bem higienizadas e trocadas com frequência, viram um foco de contaminação da pele em vez de um instrumento de limpeza.

Também em nome da proteção da pele, as toalhas devem ser mantidas bem secas e este é mais um motivo para não viver repetindo a dose de chuveiro. Ora, elas precisam secar! No banheiro, cá entre nós, isso é mais difícil, porque esse ambiente costuma ser bastante úmido, abafado e mais escuro também, já que as janelas tendem a ser menores. Talvez valha a pena levar as toalhas em uso para secar na área de serviço por algumas horas. Mas está aí uma missão das mais complicadas, porque os jovens costumam abandonar a toalha usada de qualquer jeito, sem nem sequer estendê-las direito no local de banho, o que ao menos ajudaria a evaporar o excesso de líquido. Os pais devem lhes contar que esse mau hábito está associado ao aparecimento de micoses. E ninguém quer uma micose, não é mesmo?

Outro ponto para chamar a atenção é com a temperatura da água, que deve ser no máximo morna. Isso porque duchas quentes, especialmente as prolongadas, também arrasam a barreira protetora da pele. Não importa se é um banho completo ou se a ideia é só derramar uma água sobre o corpo para tirar o excesso de suor, a duração não pode ser maior do que cinco minutos, de novo pensando nas nossas defesas naturais, independentemente da economia tão necessária desse recurso natural. Por falar nele, bom a gente por último lembrar que não adianta muita coisa se refrescar de fora para dentro sem beber bastante líquido ao longo do dia. 

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Viagens e passeios diferentes aumentam o risco de contrair raiva humana http://mauriciodesouzalima.blogosfera.uol.com.br/2020/01/15/viagens-e-passeios-diferentes-aumentam-o-risco-de-contrair-raiva-humana/ http://mauriciodesouzalima.blogosfera.uol.com.br/2020/01/15/viagens-e-passeios-diferentes-aumentam-o-risco-de-contrair-raiva-humana/#respond Wed, 15 Jan 2020 07:00:13 +0000 http://mauriciodesouzalima.blogosfera.uol.com.br/?p=738

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É claro que o risco é maior para quem mora próximo do habitat natural de mamíferos selvagens ou bichos silvestres, assim como é maior para pessoas que, por força da profissão, vivem em contato com animais. Mas, em época de férias, quando muita gente viaja para lugares bem diferentes dentro ou fora do Brasil, surgem casos de raiva humana em quem, em princípio, não parecia muito vulnerável a pegar essa doença.

Também conhecida como hidrofobia, a raiva humana é uma infecção viral aguda e mortal, provocada pelo Lyssavirus, que fica de espreita na saliva de animais contaminados —a rigor, qualquer mamífero pode contrair hidrofobia — e então invade o organismo humano por meio de feridas, geralmente causadas por mordidas e arranhões desses animais, ou por machucados preexistentes. O vírus também pode penetrar por mucosas, se o animal infectado lamber a sua boca, por exemplo.

No Brasil, a maior parte dos casos ocorre no Norte e no Nordeste, destinos frequentes nas férias de verão. Mas existem pessoas que terminam infectadas fazendo turismo em diversas partes do mundo. Nas cidades, normalmente, o contágio se dá pelo contato com cães e gatos doentes. Em viagens ecológicas, pode acontecer pelo contato com macacos ou até mesmo com morcegos que habitam em cavernas — mesmo que eles não ataquem os visitantes,  podem arranhar a pele humana em um raspão durante o seu voo estabanado. Mas, repito, não adianta estigmatizar uma espécie ou outra,  porque a rigor qualquer mamífero pode ser portador do vírus.

E, embora não existam estudos checando números por faixa de idade, pela nossa observação os acidentes com animais infectados são relativamente frequentes nos adolescentes.  Fico imaginando o motivo e não encontro muita resposta. Talvez eles brinquem mais com animais que pareçam perdidos nas ruas ou nas praias, não sei…

O período de incubação do vírus pode levar incríveis dois ou três meses. Na verdade, varia bastante conforme o local por onde ele entrou, já que o Lyssavirus tem predileção pelos nervos e, aos poucos, se dirige ao seu destino final, que infelizmente é o cérebro. Portanto, quanto mais próximo da cabeça for o seu ponto de entrada, menos tempo irá durar esse tempo assintomático.

Quando ele é interrompido, no início podem surgir uma febre baixa, um mal-estar muito pouco específico, como se fosse uma infecção banal, causando dores na garganta, na cabeça e na barriga. Mas logo depois vem a fase neurológica: a febre aumenta, a pessoa se sente extremamente agitada, inquieta e ansiosa. Surgem espasmos musculares, inclusive nos músculos da laringe, quando estes entram em contato com água. Daí o nome da doença, hidrofobia. Na verdade, a musculatura se contrai até mesmo com a saliva e, por isso, como fica impossível engoli-la, ela sobra na boca e o doente acaba babando.

Na terceira e última fase, a febre continua nas alturas, mas aí já há muita desorientação, às vezes agressividade, retenção urinária e constipação, somando-se aos sintomas anteriores, além de uma tremenda alteração no ritmo cardíaco e, por fim, uma paralisia generalizada que evolui para o coma e, na sequência, para a morte.

Por ser tão grave, não dá para marcar bobeira. Se a pessoa foi machucada por um bicho qualquer, especialmente se ele for completamente estranho, a primeira medida será lavar o ferimento com muita água corrente e sabão sem a menor perda de tempo. Deve-se, ainda, encharcar a área com substâncias capazes de ajudar na assepsia, vendidas em qualquer farmácia para tratar machucados em geral. Na dúvida se foi infectado pelo vírus da raiva ou não, mesmo que seja profundo, o corte na pele precisa ser mantido aberto, isto é, sem ser suturado.

O ideal seria observar o animal que mordeu ou arranhou por uns dez dias, para ver se ele apresenta algum comportamento estranho e se, então, seria preciso iniciar pra valer o tratamento. Como em boa parte das vezes isso é impossível, o jeito é, por precaução, presumir que ele poderia estar infectado, correndo para tomar a vacina contra a raiva e, conforme o caso, tomar também algumas doses de imunoglobulina humana perto da região ferida. A imunoglobulina ajuda a inativar parte dos vírus, ganhando tempo para o próprio sistema de defesa produzir anticorpos  a fim de atacá-los antes de eles chegarem ao cérebro. Alguns casos receberão soro específico também.

Há várias classificações e os profissionais de saúde podem combinar esses recursos — vacina, soro, imunoglobulina —  de acordo com o local do ferimento e a espécie do animal autor do ataque. Quando os sintomas aparecem, alguns exames laboratoriais passam a ser úteis para confirmar se é mesmo um caso de raiva humana, já que a doença costuma se confundir com outras, como o tétano e a poliomielite  ao se manifestar. Mas o bom, óbvio, é agir para nem chegar a esse ponto.

Para receber orientação, o correto é procurar o centro especializado em zoonoses de sua cidade ou região. Em São Paulo, por exemplo, o Centro de Zoonoses não aplica a vacina, mas informa a vítima qual seria o local mais próximo de sua casa para ela ir em busca de tratamento. Para quem mora em São Paulo, vale anotar o telefone de lá: (11) 3397-8957.

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Dor de barriga uns quinze dias depois de voltar da praia: pode ser giárdia http://mauriciodesouzalima.blogosfera.uol.com.br/2020/01/08/dor-de-barriga-uns-quinze-dias-depois-de-voltar-da-praia-pode-ser-giardia/ http://mauriciodesouzalima.blogosfera.uol.com.br/2020/01/08/dor-de-barriga-uns-quinze-dias-depois-de-voltar-da-praia-pode-ser-giardia/#respond Wed, 08 Jan 2020 07:00:59 +0000 http://mauriciodesouzalima.blogosfera.uol.com.br/?p=730

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Um trabalho realizado no hospital da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo registra a disseminação da giárdia nas praias brasileiras. O fato é que é cada vez maior a possibilidade de as pessoas se contaminarem com cistos desse protozoário — o Giardia lamblia —, quando passam os seus dias de verão no nosso litoral. Os cistos são a forma que a giárdia assume para resistir ao meio ambiente enquanto não infectar outro organismo.

E não é difícil imaginar como essa infecção acontece nas férias: o parasita pode estar naquela água de beber ou usada para fazer o suco ou, quem sabe, mais provavelmente, na pedra de gelo oferecida pelo rapaz da barraca de praia. Você ainda pode pegar giárdia durante o mergulho no mar. E aqui vale um aviso: o lugar pode até ser paradisíaco e a água, muito apropriada para banho. Mas, naquele dia, por azar, um cachorro passeou por ali e fez cocô na areia… Às vezes, é o que basta, se as fezes do animal estiverem contaminadas.

Claro, existem outras vias de transmissão. A pessoa pode pegar giárdia segurando objetos contaminados e, depois, levando a mão cheia de cistos à boca. Falta de higiene é sempre um fator de risco. Sexo anal sem proteção é outro caminho para alguém sair contaminado.

Uma vez dentro do corpo humano, a giárdia se instala na primeira porção do intestino, isto é, no intestino delgado. Muitas vezes, as crianças infectadas não apresentam nenhum sintoma, embora eliminem cistos com as fezes, capazes de contaminar mais pessoas. No entanto, nos adolescentes a infecção pode ser sintomática, começando por cólicas abdominais fortes e muitos gases, acompanhados de uma diarreia bem líquida, extremamente fétida, que deixa a impressão de as fezes estarem gordurosas. Em alguns casos, o quadro inclui náuseas, vômitos e até febre alta.

O interessante é que todos esses sintomas aparecem após duas ou mais semanas da contaminação. E daí muitas pessoas não associam tanta dor de barriga e mal-estar à temporada à beira-mar —afinal, elas pensam, já voltaram faz um tempão do litoral.

Por isso, diante um quadro de diarreia mais severa, o certo seria o médico sempre perguntar por onde aquele paciente andou nas férias. Se pisou em alguma praia, especialmente se isso já foi há algumas semanas, acende-se uma lâmpada amarela. Explico: a giardíase merece tratamento porque pode se tornar crônica, isto é, quando o organismo não espanta espontaneamente o protozoário, o que até costuma acontecer em boa parte dos casos. Mas, se a giárdia não vai embora, além de a ameaça de disseminação existir, ela vai causar um mal-estar constante, atrapalhar a absorção de nutrientes, provocar uma fadiga sem fim e, em última instância, levar a problemas de desenvolvimento, justamente por prejudicar o aproveitamento dos alimentos.

Se o médico desconfia que pode ser isso, uma giardíase, ele em geral pede um exame de fezes. Mas aí é que está: nem sempre esse exame detecta os cistos, o que não significa que a giárdia não esteja por ali. Talvez valha a pena repeti-lo. No entanto, considerar o histórico é tão ou mais fundamental. E a boa notícia é que existem remédios antiprotozoários. Lançar mão deles após as férias, quando se traz na bagagem uma dor de barriga dessas, pode ser uma medida importante.

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Estudo mostra que as meninas estão cada vez mais entediadas. Por que será? http://mauriciodesouzalima.blogosfera.uol.com.br/2020/01/01/estudo-mostra-que-as-meninas-estao-cada-vez-mais-entediadas-por-que-sera/ http://mauriciodesouzalima.blogosfera.uol.com.br/2020/01/01/estudo-mostra-que-as-meninas-estao-cada-vez-mais-entediadas-por-que-sera/#respond Wed, 01 Jan 2020 07:00:08 +0000 http://mauriciodesouzalima.blogosfera.uol.com.br/?p=703

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Li um estudo recente da Washington State University, nos Estados Unidos, que saiu no Journal of Adolescent Health — só que, cá entre nós, ele não me surpreendeu. Segundo os pesquisadores, o sentimento de tédio vem aumentando ano após ano entre os adolescentes. E as meninas se sentem até mais entediadas do que os meninos. Digo que não me surpreendeu, primeiro, porque todo mundo já ouviu um adolescente reclamar que não tem nada de bom para fazer em determinado momento. E, sejamos justos, o mundo moderno também não o ajuda.

Os pesquisadores de Washington trabalharam em parceria com colegas de duas outras universidades americanas, a de Michigan e a Pennsylvania State, enviando questionários para milhares de garotos e garotas a partir de 10 anos de idade, no período entre 2008 e 2010.

As perguntas eram bem diretas, tais como: em uma escala de 1 a 5, o quanto você se sente entediado ou entediada? Está experimentando mais tédio hoje do que no passado? Desse modo, concluíram que esse é um sentimento em franca ascensão de 2010 para cá.

Nos meninos, daquele ano de 2010 até 2017, a sensação de tédio piorou 1,6% e, nas garotas, 2%. Talvez ache que esse é um aumento bastante sutil, mas entenda a preocupação dos estudiosos: eles queriam um retrato do tédio da juventude de seu país para, depois, saber se esse seria um sentimento pontual de aborrecimento com tudo e com todos ou se poderia servir de gatilho para uma depressão em jovens — problema que cresce assustadoramente nessa faixa etária, vale eu ressaltar.

O trabalho só avaliou o nível de tédio, sem olhar para as possíveis causas. Mas o questionamento aos autores foi inevitável: ora, qual seria o motivo? Sobre a resposta, eu concordo com a hipótese desses pesquisadores: eles apostam que o tédio vem de uma insatisfação pela maneira como os jovens de hoje passam o tempo. E, repito, é uma pena que o trabalho não tenha investigado como esses adolescentes que responderam ao questionário gastavam suas horas.

Os pesquisadores americanos especulam que, ao mesmo tempo em que os jovens querem independência, sob certo ponto de vista eles têm menos autonomia agora, no mundo moderno. Isso seria capaz de gerar de cara muita frustração, uma prima do tédio. A garotada ficaria com aquela sensação de não poder fazer nada do que quer. E note que os jovens da atualidade querem mais e mais coisas porque, afinal, são expostos a um mundo de informação pela internet, sem que, no paralelo, exista maturidade e consigam ter acesso a tudo na vida real, por uma série de razões. Pode ser que seja isso mesmo, não nego…

Aliás, essa poderia ser uma explicação para as meninas parecerem mais entediadas do que os meninos. Na verdade, elas também começam a sentir tédio mais cedo do que eles, por volta dos 10 anos. Na minha opinião, isso ocorre justamente porque tendem a amadurecer mais depressa. Logo, nesse raciocínio, se ressentiriam mais da falta de autonomia ou da impossibilidade de fazerem tudo o que veem outras garotas (aparentemente) realizando.

No entanto, engrosso esse caldo das supostas causas falando da falta de comunicação, uma falta tão atual, provocada inclusive pelas redes sociais, por mais paradoxal que acabe soando. Mas pare para reparar…

Se a gente prestar atenção — e acho que o que vou apontar aqui vale para muito adulto também —, as pessoas até andam se comunicando mais. Na verdade, elas trocam mensagens várias vezes ao dia e com um número maior de pessoas. Mas, se a quantidade de contatos saiu ganhando nos últimos tempos, em contrapartida a qualidade do diálogo caiu bastante.

Nas redes sociais é tudo muito superficial, sem nem sequer existir espaço para alguém expor pra valer qualquer tipo de sentimento — seja ele o próprio tédio. Tédio que, no meu modo de encarar a situação, diminuiria bastante se adolescentes tivessem mais contatos olho no olho do que com o olhar na telinha.

 

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O verão é uma oportunidade: os jovens devem aprender a autoexaminar a pele http://mauriciodesouzalima.blogosfera.uol.com.br/2019/12/25/o-verao-e-uma-oportunidade-os-jovens-devem-aprender-a-autoexaminar-a-pele/ http://mauriciodesouzalima.blogosfera.uol.com.br/2019/12/25/o-verao-e-uma-oportunidade-os-jovens-devem-aprender-a-autoexaminar-a-pele/#respond Wed, 25 Dec 2019 07:00:55 +0000 http://mauriciodesouzalima.blogosfera.uol.com.br/?p=697

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Verão é tempo de expor mais o corpo, certo? Então, vamos aproveitar a estação para convidar os adolescentes a olharem bem para a própria pele, hábito que todos nós deveríamos ter em qualquer época do ano, fazendo chuva, fazendo sol. Mas, vá lá, a moçada não costuma tê-lo e daí que, na minha opinião, esse tempo de calor é sempre uma oportunidade para que meninos e meninas aprendam a reparar se há alguma pinta diferente ou uma feridinha esquisita em qualquer parte do corpo. Sim, senhoras e senhores: câncer de pele também acontece na adolescência.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia faz um belo esforço, inclusive com a campanha do Dezembro Laranja, mas muita gente acha que o problema não é com os mais novos — e ele é também. Claro, os tumores são mais frequentes com o passar dos anos, com horas e horas de descuidos sob o sol. A pele, dizem, tem uma espécie de memória e não perdoa o número de queimaduras solares acumuladas ao longo de toda uma vida, assim como contabiliza cada momento do dia a dia sob fortes raios solares e sem qualquer proteção.

Aliás, é mesmo pela proteção que devemos começar a conversa. É difícil, de fato, convencer um carinha ou uma mocinha de seus 12, 13, 14 anos sobre a importância de usar um bom filtro todo dia, sem exceção. Adolescentes, em geral, rebatem a ideia dizendo que, ainda por cima — leia, além da preguiça — o produto aumentaria as espinhas e deixaria a pele, já mais oleosa nessa idade, brilhando demais, repleta de cravos. Mas essa não é uma boa desculpa.

Vale conversar com o clínico que acompanha a sua saúde ou ir ao dermatologista para receber boas dicas de protetores solares que não são nada oleosos. Alguns deles até contêm substâncias que ajudam a tratar a acne ou podem ser formulados para esse fim. Essa história do filtro solar que besuntava o rosto e o resto do corpo já virou passado. Até porque as indústrias farmacêuticas e de cosméticos estão cientes de que esse é o tipo de loção que não pode ser dispensada em nenhum dia da semana. Logo, cremes e loções pesados não fazem sucesso.

Conforme o grau de exposição sem qualquer filtro e a tendência familiar, o jovem pode, como já disse, apresentar tumores de pele e, por isso, deve ficar esperto se perceber qualquer estranheza. O carcinoma basocelular, por exemplo, que é um dos mais comuns e fáceis de tratar — em geral, o dermatologista o arranca fora e tudo fica de boa. Ele parece um nódulo de nada, às vezes rosado, às vezes mais escuro. Vale ficar de olho em qualquer caroço estranho, muitas vezes cercado de vasinhos.

Já o carcinoma espinocelular é um pouco mais sério, se não for flagrado precocemente. É porque ele pode dar metástase, ou seja, pode se espalhar pelo corpo. A lesão desse câncer lembra uma feridinha que não se fecha passado um bom tempo e, não raro, surge em áreas onde já existia uma cicatriz, o que confunde as coisas — a pessoa pode achar que o problema é de cicatrização e vai levando. Saiba, porém, que não é normal existir uma ferida na pele, por menor que seja, que não se resolva em quatro semanas ou menos. Assim como não é normal uma porção de pele — de novo, por menor que seja — viver descamando, ardendo, coçando ou sangrando. Alterações assim pedem consulta médica sem muita perda de tempo, por segurança.

Por fim, o melanoma é de longe o mais agressivo de todos os cânceres de pele. Vale ficar atento a qualquer pinta escura, especialmente se as suas bordas forem irregulares ou se muda de formato, coloração, tamanho e relevo. Não dá para brincar.

A gente precisa se lembrar que, quando falamos em tumores de pele, estamos nos referindo ao câncer mais incidente neste ensolarado Brasil. Mesmo que se o jovem não encontrar nada diferente — tomara! —, o hábito de realizar o autoexame de pele não é bobagem, nem exagero. Ele deve começar cedo. Por falta desse ensinamento precoce é que hoje vemos tantos casos por aí.

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Escorpiões se escondem até dentro de casa e os jovens devem saber como agir http://mauriciodesouzalima.blogosfera.uol.com.br/2019/12/18/escorpioes-se-escondem-ate-dentro-de-casa-e-os-jovens-devem-saber-como-agir/ http://mauriciodesouzalima.blogosfera.uol.com.br/2019/12/18/escorpioes-se-escondem-ate-dentro-de-casa-e-os-jovens-devem-saber-como-agir/#respond Wed, 18 Dec 2019 07:00:20 +0000 http://mauriciodesouzalima.blogosfera.uol.com.br/?p=685

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Foi dada a largada: de dezembro a março, especialmente por causa do calor inclemente, começa a temporada de escorpiões, animais invertebrados que, se esticassem completamente a cauda, alcançariam até uns 12 centímetros. São sinistros. Quando não perambulam à noite, disfarçados pela escuridão, eles se escondem sob pedaços de troncos e cascas de árvore. Claro, não escolhem a idade de quem irão picar, mas adolescentes são mais distraídos e, embora eu desconheça levantamento a respeito, acabam sendo vítimas bastante frequentes. Vale alertá-los e ensinar o que deve ser feito em uma emergência dessas.

E não pense que faço alerta simplesmente porque, nas férias, aumenta a chance de o jovem passear por lugares cheios de pedaços de madeira ou com a grama alta — na verdade, aviso que a grama alta até das casas em centros urbanos pode esconder o perigo para a família inteira curtindo aquele churrasco de domingo. Hoje, não é raro encontrarmos escorpiões nas grandes cidades. Não mesmo.

Voltamos ao calor: com as altas temperaturas, podem surgir baratas pela cozinha, por exemplo, e o fato é que os escorpiões são atraídos por elas. Os cuidados com o ambiente doméstico incluem muita limpeza —sem dúvida! — e manter o lixo bem fechado. No momento de descartar o saco, dar um nó bem amarrado. Qualquer frestinha nas paredes, se houver alguma, merece ser fechada sem postergar o conserto. E, por falar nisso, preciso lembrar que escorpiões adoram um entulho de obra. Então, residências em reforma podem se transformar em sua morada com facilidade.

Justamente porque o bicho anda aparecendo cada vez mais dentro de casa —casa, eu digo, no sentido figurado, porque anda dando as caras em muito apartamento também — , acaba que as vítimas costumam ser quem mais passa o tempo por lá. Ou seja, crianças, idosos e aquele adolescente largado diante de alguma tela, aproveitando o período oficial da preguiça, fora da sala de aula.

Quando ocorre a picada, a primeira sensação é de dor intensa no local, seguida de vermelhidão e inchaço. A partir daí, as reações são muito individuais, se bem que a suadeira é bem comum. Outros sentem enjoos fortes e chegam a vomitar bastante. O jeito é correr para o hospital: sim, existem casos fatais e o certo é tomar, o quanto antes, um antiveneno de escorpião aplicado por lá. Para você ter ideia, em 2017 em São Paulo, morreram mais pessoas picadas por escorpião do que por cobra.

 A dificuldade é que existem quase 2 mil espécies de escorpiões pelo mundo. Portanto, o ideal seria, caso alguém encontre o animal autor da picada, levá-lo em uma caixa para o pronto-socorro. Se não foi possível, se alguém chegou a matá-lo, que se procure tirar uma foto de celular — isso ajuda no atendimento.  Em São Paulo, o que mais aparece é o chamado escorpião amarelo, cuja picada é das mais dolorosas. Tem ainda uma variação dele no Nordeste e o escorpião marrom. São os principais, mas estão longe de serem os únicos entre nós.

Procure se informar sem perder tempo, talvez consultando a web, qual seria o centro de referência para acidentes assim em sua região. E vá para ele sem pestanejar. Ali, os profissionais de saúde saberão o que fazer, ficando de olho principalmente nos batimentos cardíacos da vítima.

Passado o susto —ou seja, depois de oferecer o antiveneno mais adequado para a espécie que supostamente desferiu o ataque — o tratamento é com analgésico. Não há muito o que fazer, apenas esperar a dor passar e o local desinchar. Na hora agá mesmo, a única coisa possível — e ainda assim pouco eficiente — é lavar com água abundante e sabão. Por favor, nada de espremer a picada com a ideia torta de que isso fará sair o veneno. Preciso alertar com veemência que o veneno de escorpião cai quase imediatamente na circulação sanguínea, enquanto a pessoa solta o meu primeiro “ai”, percorrendo o circuito da cabeça aos pés. Não há o que extrair do local, já era.  Espremê-lo significa apenas perder tempo e correr risco de vida. 

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Parece maluco, mas que tal começar as férias com um exame de colesterol? http://mauriciodesouzalima.blogosfera.uol.com.br/2019/12/11/parece-maluco-mas-que-tal-comecar-as-ferias-com-um-exame-de-colesterol/ http://mauriciodesouzalima.blogosfera.uol.com.br/2019/12/11/parece-maluco-mas-que-tal-comecar-as-ferias-com-um-exame-de-colesterol/#respond Wed, 11 Dec 2019 07:00:37 +0000 http://mauriciodesouzalima.blogosfera.uol.com.br/?p=680

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Podem achar uma ideia maluca, mas sabe qual seria a minha sugestão para começar as férias? Fazer um belo check-up. E, como em todo bom check-up, não deixar de fora um exame de sangue para olhar a quantas andam as taxas de colesterol e de triglicérides no sangue. Por incrível que pareça, muitos jovens não fazem esse exame. 

Mais cedo, alguns pediatras —infelizmente, não todos — até o prescrevem, quando a criança tem obesidade ou há casos de colesterol nas alturas em casa e, se é assim, pode existir uma situação conhecida na Medicina por hipercolesterolemia familiar, doença hereditária em que o organismo produz uma quantidade tremendamente elevada de colesterol. Mesmo que não chegue a esse ponto, muitos pediatras ficam com um pé atrás quando observam que os pais têm problemas com as suas taxas de gordura e se todos estão acima do peso, por exemplo.

No entanto, há em seguida uma fase de total silêncio, quando o garoto ou a garota cresce um pouco. Em geral, ninguém fala de colesterol na consulta dos adolescentes e, se existir algo de errado com as suas taxas, esse paciente só descobrirá lá adiante, na vida adulta, perdendo tempo para se cuidar. Errado, como mostra um estudo recente de uma equipe da PUC do Paraná. Eu o li e registro aqui um alerta importante: muitos jovens estavam com o colesterol alto e, entre eles, uma boa parte exibia o peso normal. O trabalho em questão avaliou um número bastante expressivo de pessoas —38 mil estudantes entre 12 e 17 anos. É para a gente acender uma luz amarela mesmo.

Sabemos que quem vê cara e balança não enxerga um colesterol alto. Fato. Mas muitos colegas, diante do adolescente, se esquecem disso. A própria família não se dá conta de qualquer perigo envolvendo as gorduras no sangue. E aí só é pedido o exame, quando muito, naqueles casos em que há visivelmente sobrepeso e obesidade. 

Sim, sobrepeso e obesidade aumentam bastante o risco de as gorduras circulando no sangue ficarem mais elevadas do que o desejável. Mas isso não significa que meninos e meninas magros estejam livres da ameaça que, aos poucos, desde cedo, começa a formar placas em suas artérias. Não resolver quadros de taxas de lipídeos alteradas na adolescência é acionar uma bomba-relógio que, anos depois, poderá explodir no peito. Ou, talvez, na cabeça, provocando um acidente vascular cerebral, o AVC

Claro que ajustes no estilo de vida —com uma dieta orientada e mais exercício físico — ajudam. Às vezes, porém, é necessário entrar com uma medicação. Só um médico saberá a resposta. Pela minha experiência, é até fácil normalizar as taxas de triglicérides —que devem ficar abaixo de 150 miligramas por decilitro de sangue sempre — melhorando a qualidade da alimentação. Um colesterol alterado, por sua vez, é mais difícil de domar prestando atenção só para a mesa — nem por isso é impossível, só mais difícil.

O importante é não esquecer que o problema pode existir. Hoje, não há um valor único cravado do que seria um colesterol saudável. O LDL, aquele que é conhecido como o mau colesterol, deve permanecer abaixo de 50 mg/dl em quem apresenta um risco muito alto de desenvolver problemas cardiovasculares lá adiante, como um jovem com casos de infartos precoces na família ou um diabetes mais complicado. Já quem tem risco baixo pode manter suas taxas de LDL abaixo de 130 mg/dl. E, entre esses dois valores, há uma série de outros, formando uma escala conforme o risco.

Com o HDL, porém, é diferente: no caso do chamado bom colesterol, quanto mais alto, melhor. E todos nós, não importa a idade, devemos manter um HDL acima de 40 mg/dl.

Por isso, insisto: se quer um bom programa para começar as férias, vá com o adolescente ao médico, cheque a sua saúde e, entre outras coisas, não se esqueça que o colesterol também é assunto para a consulta de alguém nessa idade. Ele viverá muito ainda. E precisará ter um coração forte para isso.

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As micoses são transmitidas até por bichos domésticos e exigem paciência http://mauriciodesouzalima.blogosfera.uol.com.br/2019/12/04/as-micoses-sao-transmitidas-ate-por-bichos-domesticos-e-exigem-paciencia/ http://mauriciodesouzalima.blogosfera.uol.com.br/2019/12/04/as-micoses-sao-transmitidas-ate-por-bichos-domesticos-e-exigem-paciencia/#respond Wed, 04 Dec 2019 07:00:22 +0000 http://mauriciodesouzalima.blogosfera.uol.com.br/?p=673

Crédito: iStock

Existem mais de 30 fungos que adoram se instalar no corpo humano, onde se alimentam da queratina, uma proteína fibrosa, mais rígida e impermeável que faz parte da pele e das unhas — quer dizer, compõe os cabelos também, mas, no caso, esses fungos vão atacar mesmo é o couro cabeludo, deixando áreas inteiras de falhas ou completamente carecas, sem um fio. São as chamadas placas de alopecia.

Já essas infecções, popularmente conhecidas por micoses, são dermatofitoses e aviso: dão um trabalho danado para serem tratadas, exigindo uma disciplina extraordinária, a qual sinto dizer que a gente não costuma ver nos adolescentes. É preciso uma boa conversa para convencê-los a fazer a coisa certa, dia após dia. 

Com o calor e, consequentemente, com a umidade do suor, esses problemas aparecem de vez. Os fungos, que adoram um verão, podem ser transmitidos de uma pessoa com dermatofitose para outra, pelo compartilhamento de roupas e até pelo ambiente da praia ou da piscina — é o caso da frieira nos dedos ou pé-de-atleta. 

Mas de uma coisa pouca gente sabe: essas micoses comuns nas estações mais quentes também podem ser transmitidas por gatos, cachorros, aves, até por peixes de aquários. Por isso, se alguém na sua casa apresenta uma delas, bom ficar de olho nos animais domésticos, que talvez apresentem a mesma condição e devam ser tratados. Bom eu ressaltar que isso nada tem a ver com a famosa sarna a qual, apesar da aparência impressionante, não passa do bicho doente para o homem.

Os sintomas das dermatofitoses podem variar ligeiramente, mas em geral todas elas provocam descamações e muita, muita mesmo, coceira. Existem casos mais raros em que o paciente não apresenta o prurido e, sim, minúsculas vesículas no local afetado. No caso das unhas com fungos, elas assumem um tom opaco, branco amarelado, e começam a esfarelar. Na verdade, as micoses podem aparecer no corpo inteiro, inclusive no couro cabeludo, como já disse.  

O cuidado é maior com aquele indivíduo que já apresenta outra doença, como o diabetes — no caso, qualquer descuido pode transformar as lesões da dermatofitose em uma enorme porta de entrada para infecções bacterianas mais graves. Todo cuidado é pouco.

O tratamento pode ser tópico, isto é, o médico pode prescrever um spray ou uma pomada para ser passada na área atacada pelos fungos. Em alguns casos, o remédio precisa ser engolido também. Mas nada faz a dermatofitose desaparecer da noite para o noite. Existem casos em que o tratamento gira em torno de 15 ou até mesmo de 30 dias. E existem micoses que não somem com menos de seis meses, às vezes até depois de um ano inteiro de tratamento. E esse tempo longo precisa ficar bem claro na conversa entre o médico e o paciente. 

Uma das principais causas do ressurgimento das dermatofitoses ou recaídas, muitas vezes em versões aparentemente mais graves, é o tratamento interrompido antes da hora, porque o jovem acha que já melhorou bastante ou porque se cansa de usar o remédio prescrito. Errado.

Também existem casos em que, na realidade, o problema não retornou, como dá a impressão — a pessoa é que voltou a ter contato com o que causou a primeira infecção,  como naquele exemplo do animal infectado em casa. Aí, apesar de parecer uma recaída, pode se tratar de uma micose novinha em folha.

Enquanto a lesão durar, o melhor é sair com ela bem protegida sempre, para que não vire a porta de entrada de germes. Feito isso, por si só a dermatofitose não causa um mal mais sério. Mas, sem dúvida, há um desconforto com o aspecto estético e a coceira pode atrapalhar a qualidade de vida. Sem contar que se transmite para outra pessoa com a maior facilidade. Motivo de sobra para alguém se tratar direito, suportando a demora para os resultados.

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Dá barato e pode até matar: a magia perigosa dos cogumelos alucinógenos http://mauriciodesouzalima.blogosfera.uol.com.br/2019/11/27/a-magia-perigosa-dos-cogumelos-alucinogenos/ http://mauriciodesouzalima.blogosfera.uol.com.br/2019/11/27/a-magia-perigosa-dos-cogumelos-alucinogenos/#respond Wed, 27 Nov 2019 07:00:11 +0000 http://mauriciodesouzalima.blogosfera.uol.com.br/?p=661

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Em alguns países, sua comercialização é proibida por lei. Em outros, como o nosso, isso não acontece. Estou falando de uma espécie de cogumelo, a Psilocybe cubensis, usada desde os tempos antigos, ao pé da letra, para alterar o estado de consciência por um período, com registros feitos séculos antes de Cristo. Ganhou fama pelo mundo nos movimentos de contra-cultura dos anos 1960. No Brasil, já na década de 1980, existiam cidades famosas em que as pessoas iam em busca de natureza, ver estrelas e, dizem elas, disco-voadores, além de tomar chá de cogumelos, claro. A beberagem é um alucinógeno e tanto.

Apesar de a comercialização da psilocibina ser proibida no Brasil pela Anvisa, não é difícil encontrar sites vendendo por aqui esses cogumelos. E isso preocupa porque a sua onda volta a subir, como acontece de tempos em tempos, sendo que, desta vez, o consumo entre adolescentes só aumenta. Até pela facilidade de compra, com direito à entrega em casa pelo motoboy. Fazer o quê!  

Dos cerca de 1 mil componentes encontrados nesses cogumelos, calcula-se que uns 200 levem a alucinações. Mas eles ainda são bem pouco estudados, o que só faz aumentar o receio na comunidade científica e, particularmente, entre nós, médicos. Sabemos que os maiores princípios ativos presentes são a psilocibina e a psilocina que podem até agir no cérebro feito a serotonina, o neurotransmissor relacionado ao bem-estar. Mas não é só bem-estar que o cogumelo “mágico” provoca.

O usuário relata, com frequência, visões. Fica desorientado em relação ao espaço e ao tempo. Há um profundo relaxamento da musculatura esquelética, ao mesmo tempo em que aumentam as frequências cardíaca e respiratória. Tudo isso começa cerca de apenas meia hora após a ingestão de reles 3 gramas — é a dose consumida, em geral —, que nunca custam menos de 50 reais. E o efeito dura aproximadamente seis horas, um tempão.

O problema é que não são raros os casos de bad trips. Cuidado! Na verdade, são até bem comuns. O uso desses cogumelos, desidratados ou não, comestíveis ou na forma de chá, costuma ser gatilho para crises de depressão grave e ansiedade que, obviamente, duram bem mais do que aquelas seis horas. Frequentemente, também, a experiência é tão forte que o garoto ou a garota tem a impressão de nunca mais voltar dela — eu mesmo já vi um caso em que o menino, em pânico, pedia para o amigo ficar repetindo sem parar os eventos que tinham se passado horas antes do consumo, porque sentia que iria se esquecer de tudo e que perderia a memória de vez.

E tem outra para deixar todo mundo apreensivo: não há dose de segurança. Alguns gramas que provocam a alucinação em uma pessoa podem matar outra (pensamentos suicidas/acidentes). Há vários relatos de intoxicação. Daí que a pior ilusão de todas não é a que o jovem enxerga em pleno transe — com todos os riscos que ele pode correr ao sair vendo coisas por aí ou  ao deixar de ver outras tantas, por estar completamente fora de si. Na minha opinião, o mais grave é se enganar acreditando que algo, por ser da natureza e vendido livremente, não é perigoso ao extremo. E é, não existe magia nisso.

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Jovens devem saber que não há mágica: ninguém ficará sarado até o réveillon http://mauriciodesouzalima.blogosfera.uol.com.br/2019/11/20/jovens-devem-saber-que-nao-ha-magica-ninguem-ficara-sarado-ate-o-reveillon/ http://mauriciodesouzalima.blogosfera.uol.com.br/2019/11/20/jovens-devem-saber-que-nao-ha-magica-ninguem-ficara-sarado-ate-o-reveillon/#respond Wed, 20 Nov 2019 07:00:09 +0000 http://mauriciodesouzalima.blogosfera.uol.com.br/?p=655

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Dezembro se aproxima e as academias lotam. Ficam cheias de gente de todas as idades. Adolescentes, portanto, não são exceção. E o que mais vejo nessa época são jovens tomando uma série de suplementos — alguns com formulações duvidosas —  e fazendo uma quantidade exagerada de exercício, sonhando com aquele réveillon sarado pensando na perspectiva do jogo da paquera na praia, onde todos querem exibir uma barriga tanquinho e músculos definidos. Nada contra, mas… Gente, vamos lembrar que não há mágica. Simplesmente não há.

Não adianta querer mudar o corpo em tempo recorde e fazer em dois meses todo o exercício que não foi feito ao longo do ano inteiro. Isso é particularmente perigoso na fase de crescimento, quando músculos, tendões e ossos, muitas vezes, não se desenvolvem na mesma velocidade, deixando o jovem com aquele jeito desengonçado. 

A diferença na proporção entre essas estruturas favorece todo tipo de lesão, como tendinites e até mesmo fraturas de estresse — é quando se força tanto, mas tanto o corpo, que se formam rachaduras minúsculas nos ossos. Daí, por qualquer bobagem — um salto ou uma topada em um jogo, por exemplo —, eles se quebram.

Além de exagerar na quantidade e na intensidade dos treinos, o adolescente fica tentado a não comer direito para emagrecer depressa e, assim, perdendo a capa de gordura, a musculatura saltar mais definida. Sem se alimentar direito, tem tudo para desmaiar, então, em algum exercício mais extenuante. Pior quando o menino ou a menina usa essa estratégia — treina demais e come de menos — quando era sedentário no passado. Os riscos sempre existem, mas pioram em uma situação dessas, quando não há um período de adaptação.

Aliás, uma coisa que é sempre deixada de lado quando o adolescente resolve malhar é a checagem das condições cardiológicas. Sim, apesar da idade, ela nunca deixou de ser fundamental — o médico precisa saber como aquele organismo, apesar de jovem, se comporta durante o exercício extremo. E também de descobrir a quantas anda a glicemia, ou seja, a quantidade de açúcar no sangue, prevendo a hipótese de ela despencar com facilidade durante a malhação.

No mais, em relação ao horário, não tem certo nem errado. Talvez, no verão escaldante em algumas regiões do país, valha a pena evitar o do almoço, com seu pico de temperatura, especialmente quando há tendência a pressão baixa. Um recado fundamental é dormir bem. Sei que pareço viver batendo nessa tecla, mas o sono é mesmo essencial para o corpo formar músculos. 

Ao lado da boa alimentação, ele faz mais efeito para deixar a aparência sarada do que qualquer suplemento. E este, claro, só deve ser consumido com muita orientação, no caso de adolescentes que treinam pra valer algum esporte, querendo se tornar atletas ou já competindo. E ainda assim, reforço, só com o olhar de um especialista por perto.

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