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Como os pais podem estabelecer limites ao adolescente maior de 18 anos

Maurício de Souza Lima

18/04/2018 12h40

Como dar limites para os adolescentes

Crédito: iStock

A situação é até frequente: por mais que a gente fale que, do ponto de vista físico, a moça e o rapaz ainda são considerados adolescentes até os 25 anos e até mesmo levando em consideração que o jovem às vezes continua morando com os pais e depende deles para o seu sustento, há o fato inegável de que, após os 18, ele é maior de idade. Ponto. 

Portanto, é responsável por seus atos. Pode legalmente viajar para onde bem entender, pode comprar bebida, pode dirigir, pode tudo — ou, pelo menos, pode muita coisa.

 

E aí chega aquele momento em que você lhe dá uma ordem e ouve um sonoro “não”. É bem provável que a mesma cena já tenha acontecido inúmeras vezes antes. Mas agora existe o detalhe: ele parece adulto, tem mesmo mais de 18 anos e, logo, alcançou a maioridade. Não precisa, por assim dizer, obedecer. Fazer o quê?

 

Eu só poderia dar uma resposta: o que sempre dá para fazer é conversar.

 

Noto dois extremos no comportamento dos pais. Alguns, quando tentam dar uma ordem e essa lhes é negada, capitulam quietos, conformados, porque de fato seus filhos cresceram. Ou, no outro polo, existem pais dando aquelas broncas homéricas, que nunca funcionaram — e aí mesmo, com o adolescente se vendo dono do próprio nariz,  é que possivelmente entrarão por um ouvido e sairão pelo outro. Brigar nunca é uma solução.

 

Em situações assim, que podem ser motivadas por atitudes muito banais dos filhos, os adultos precisam dar o bom exemplo da argumentação. Por exemplo, por que acham importante que o garoto ou a garota durma cedo na véspera de uma semana de provas na faculdade? Os pais precisam  expor com calma as suas razões. Detalhe: é fundamental que tenham argumentos reais. De nada adiantará dizer  “porque sim” ou “porque não”.

 

Talvez a sua opinião, por mais que seja baseada no bom senso, continue sendo contrariada. Mas as chances de ser ouvido pelo adolescente aumentam se conseguir exprimir suas ideias na base do diálogo, em vez de berrá-las. E os pais deitarão a cabeça no travesseiro sabendo que tentaram da melhor maneira possível.

 

Em outras circunstâncias, porém, acredito que vale ir um pouco além: é quando os pais percebem que seus filhos estão correndo risco. Então, penso, se é inútil proibir, talvez seja eficaz dificultar. Por exemplo, deixar de dar dinheiro para uma determinada atividade. E esclarecendo de que nunca  irá colaborar para aquele tipo de coisa. 

 

Há uns três anos, soube de um caso no meu consultório de uma família que vivia falando para o filho não sair com determinado grupo de amigos, porque eles costumavam beber demais e dirigir mesmo assim. O garoto não ouvia. Porque tem essa: o adolescente tende a se achar onipotente e invulnerável. Em parte, isso acontece porque, no cérebro, o córtex pré-frontal ainda não está completamente amadurecido  e essa região da massa cinzenta seria a responsável por prever as consequências pela frente.

 

Em certo momento, o rapaz dessa história avisou que iria viajar com os mesmos amigos. Os pais, então,  falaram que não patrocinariam o passeio, dando dinheiro para as despesas ou emprestando o carro. O menino, então, acabou ficando em casa. Por uma fatalidade, ocorreu um acidente com os jovens, embriagados, que acabou lhes tirando a vida. Claro que esse é um episódio forte.

 

Mas uma sugestão é essa: não dá para proibir quem já tem mais de 18 anos de fazer nada, mas dá para dificultar o acesso do seu adolescente a determinados programas quando achar que ele corre risco grave. Da mesma maneira como um dia, no passado, você colocou protetores na tomada para evitar que ele levasse um choque. 

 

Faça isso sendo bem transparente. Por exemplo, dizendo-lhe: olha, eu não posso lhe impedir, mas não serei conivente. Porque os pais nunca devem ser coniventes com o que coloca os seus filhos em perigo.

 

Sobre o autor

Maurício de Souza Lima é hebiatra, ou seja, um clí­nico geral especializado na saúde de adolescentes. Doutor em Medicina pela Universidade de São Paulo, é autor do livro “Filhos Crescidos, Pais Enlouquecidos” (Editora Landscape), vencedor do Prêmio Jabuti em 2007.

Sobre o blog

Aqui, Maurí­cio de Souza Lima pretende abordar de maneira leve e objetiva todas as questões de saúde que podem preocupar ou despertar a curiosidade dos próprios adolescentes e dos seus pais. Aliás, prefere dizer que irá falar sobre a saúde da juventude, lembrando que oficialmente a adolescência começa aos 10 anos, mas em tempos modernos, na prática, pode se estender para bem mais de 21 anos.

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