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Blog do Maurício de Souza Lima

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O número de afogamentos impressiona: todo adolescente deveria saber nadar

Maurício de Souza Lima

2024-04-20T19:04:00

24/04/2019 04h00

Crédito: iStock

Ainda ontem, vi aqui no UOL que uma mulher grávida perdeu a vida tentando salvar seu filho de 5 anos das águas de uma represa no interior paulista. Infelizmente, ambos se afogaram. No Brasil, os afogamentos são a segunda maior causa de mortes entre crianças de 1 a 5 anos. Mas não pense que esse tipo de acidente fatal é muito menos frequente na adolescência: ele perde apenas uma posição, sendo a terceira maior causa de morte, entre 10 e 14 anos de idade.

A Organização Mundial de Saúde, ao focar no 1,2 bilhão de jovens entre 10 e 19 anos ao redor do globo, chama a atenção para o fato de que o afogamento ainda está entre os dez causas de mortes que poderiam ser perfeitamente evitadas. Mas não é o que vemos. De toda a América Latina, proporcionalmente, somos o país que mais perde vidas ainda em plena juventude desse jeito.

Se a gente parar para pensar, a maioria dos acidentes com criança é à beira da piscina e, em casos assim, na maioria das vezes há um descuido do adulto que estava — ou deveria estar —  por perto. Com o adolescente é diferente. Ele geralmente está sozinho ou com amigos da mesma idade. Por isso, a prevenção é clara: garantir que ele aprenda a nadar. Na minha opinião, as escolas deveriam ensinar natação nas aulas de Educação Física, mas claro que isso está muito distante da realidade.

Não digo que os meninos ou as meninas precisem treinar como um nadador olímpico. Nada isso. Mas precisam saber dar suas braçadas com bastante confiança. Será que é o caso do seu filho?

Pergunto isso porque muitas vezes a gente se ilude. Lembra daquelas aulas de natação em que matriculou a criança quando ela mal tinha dado passos em terra firme. E acredita que elas foram suficientes. Com certeza ajudaram, mas até aí… 

Vamos lá: já reparou que muitos jovens que dizem saber nadar mal conseguem fazer o famoso nado cachorrinho uma vez que estão dentro da água? Que fazem pose na piscina sem, no entanto, dar conta de atravessá-la?

Aliás, só 15% dos afogamentos na adolescência acontecem na piscina. A maioria é em rios e represas — que muitas vezes oferecem um perigo solenemente ignorado pelos jovens — ou no mar.

O adolescente não vai assumir, ainda mais diante dos amigos, que não dará conta de um mergulho. E talvez até consiga "brincar" na água, até o momento em que a maré muda, por exemplo. Nem quero lembrar — mas é inevitável — que,  para aumentar o risco, os jovens estão muitas vezes se divertindo sob efeito do álcool ou de outras drogas. Em uma situação assim, sob efeito de substâncias, até exímios nadadores podem marcar bobeira. Vamos, por enquanto, descartar essa hipótese e pensar apenas nas medidas que estão mais ao nosso alcance no que diz respeito à prevenção de um afogamento.

A natação é um excelente esporte, acho que nem preciso dizer isso. Mas é também um aprendizado importante para evitar esses acidentes. A pergunta que você precisa fazer é: se o seu filho, não importa a idade, fosse jogado na água, ele sairia desse sufoco nadando de braçadas? Se você não tiver seguro na resposta, o melhor a fazer é colocá-lo em uma aula natação até que o professor garante que o garoto está de fato se saindo bem. A cada hora e meia, uma pessoa perde a vida porque não teve essa oportunidade na adolescência.

Sobre o autor

Maurício de Souza Lima é hebiatra, ou seja, um clí­nico geral especializado na saúde de adolescentes. Doutor em Medicina pela Universidade de São Paulo, é autor do livro “Filhos Crescidos, Pais Enlouquecidos” (Editora Landscape), vencedor do Prêmio Jabuti em 2007.

Sobre o blog

Aqui, Maurí­cio de Souza Lima pretende abordar de maneira leve e objetiva todas as questões de saúde que podem preocupar ou despertar a curiosidade dos próprios adolescentes e dos seus pais. Aliás, prefere dizer que irá falar sobre a saúde da juventude, lembrando que oficialmente a adolescência começa aos 10 anos, mas em tempos modernos, na prática, pode se estender para bem mais de 21 anos.