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Blog do Maurício de Souza Lima

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Maus hábitos alimentares favorecem pedras nos rins em plena adolescência

Maurício de Souza Lima

14/08/2019 04h00

Crédito: iStock

Uma pedra aparece no caminho —no caso, no caminho dos canais por onde a urina escoa dos rins — e a dor é infernal. Estudos indicam que é uma das mais violentas que o corpo humano é capaz de experimentar. Muitas vezes, ela é lombar, a parte baixa das coisas ardem. Mas o sofrimento pode refletir por todo o abdômen ou até aparecer só nele. Aí, o garoto ou a garota começa a urrar com as mãos na altura do um umbigo e, num primeiro momento, tudo pode se confundir com uma dor de barriga, uma virose, uma intoxicação por alguma bobagem que comeu na rua. Cálculo renal não é coisa de gente mais velha, ainda mais quando se tem uma tendência familiar a esse tipo de crise. E preciso dizer: alguns comportamentos frequentes na adolescência podem aumentar o risco de surgir uma dessas pedrinhas bem dolorosas.

Para começo de conversa, o adolescente parece ter preguiça de tomar água, hábito que deveria ter sido cultivado desde de infância, porque isso favoreceria a percepção da sede depois. Claro, existem aqueles que obedeciam papai e mamãe e se hidratavam direito quando eram pequenos. Mas que, agora, não têm mais idade de correr ao bebedouro porque o adulto mandou, certo? Certo! A questão é: sem tomar bastante água ao longo do dia, algo próximo de 1,5 litro, o volume de xixi consequentemente diminui. Logo, os sais que estão sendo filtrados pelos rins ficam concentrados e, daí, para se juntarem formando um cálculo, basta um pulinho.

Alguns trabalhos apontam que, além da genética, o consumo regular de alimentos não muito saudáveis dá a sua contribuição para o aparecimento dessas pedras. É o excesso de carnes, como o hambúrguer do fast-food, o exagero no sal de alguns alimentos ultraprocessados, os goles em refrigerantes e outros… Os rins também sofrem com o padrão alimentar dos dias de hoje. E os jovens tendem a comer mais esses itens do que adultos, fato.

É bem verdade que os médicos, depois de uma crise renal, devem pedir alguns exames para afastar outras hipóteses, como problemas nas glândulas paratireóides que podem surgir na adolescência também e uma eventual taxa elevada de ácido úrico no sangue. Bom examinar o cenário completo.

Quando a pedra fica, vamos dizer, emperrada nos rins, forçando a saída, o indivíduo pode apresentar, além da dor horripilante, febre e ânsia de vômito. Nem sempre haverá sangue visível na urina. Mas pode acontecer de ele sentir vontade, com mais frequência, de ir ao banheiro. Aliás, por isso, o problema não é confundido com dor de barriga, como já contei — ele também pode passar, nos primeiros instantes, por uma infecção urinária. O ultrassom é que poderá ser a prova dos nove, confirmando o cálculo renal. 

Os médicos devem, então, receitar remédios para aliviar o tormento, enquanto aguardam a pedrinha ser expelida. Aliás, uma dica importantíssima: nessas horas, contrariando o senso comum, não é bom tomar muita água na tentativa de apressar essa expulsão. Beber muito líquido, em uma situação dessas, costuma aumentar a pressão interna dos rins e piorar demais as coisas, danificando suas estruturas filtrantes. Beber líquido, sim, mas com moderação, conforme a recomendação médica.

Sobre o autor

Maurício de Souza Lima é hebiatra, ou seja, um clí­nico geral especializado na saúde de adolescentes. Doutor em Medicina pela Universidade de São Paulo, é autor do livro “Filhos Crescidos, Pais Enlouquecidos” (Editora Landscape), vencedor do Prêmio Jabuti em 2007.

Sobre o blog

Aqui, Maurí­cio de Souza Lima pretende abordar de maneira leve e objetiva todas as questões de saúde que podem preocupar ou despertar a curiosidade dos próprios adolescentes e dos seus pais. Aliás, prefere dizer que irá falar sobre a saúde da juventude, lembrando que oficialmente a adolescência começa aos 10 anos, mas em tempos modernos, na prática, pode se estender para bem mais de 21 anos.