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Blog do Maurício de Souza Lima

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Muito jovem não tomou a segunda dose da vacina da catapora quando era bebê

Universa

24/07/2019 04h00

Crédito: iStock

Reta final de inverno —na qual logo mais entraremos — e início de primavera formam um período em que os médicos já sabem o que esperar: um aumento no número de casos de catapora. Ela é uma infecção que tem esse aspecto sazonal, causada pelo vírus Varicela zoster. Por isso, aliás, também é conhecida por varicela. Trata-se de uma das enfermidades mais comuns da infância. No entanto, não tem idade para acontecer. E já vou avisando que a maioria dos adolescentes que têm mais de 15 anos de idade não está totalmente protegida, mesmo que tenha tomado a vacina lá atrás.
A questão é que a vacina de catapora, no passado, era prescrita em dose única. Mas, com o tempo, notou-se que ela não era suficiente para garantir uma boa proteção. Por isso,  a recomendação mudou para duas doses — uma aos 12 meses e outra aos 15 meses. Mas quem já tinha passado dessa idade na época dessa mudança, há cerca de 15 anos, provavelmente tomou uma só. Importante consertar isso depressa, verificando antes de mais nada a carteira de vacinação para saber se é esse o caso. Não, não tem problema completar a imunização já adolescente, embora não seja o cenário ideal.
Na dúvida, melhor ir a um posto de saúde ou a uma clínica de vacinação — medida que também recomendo aos adultos da família, especialmente aos que nunca tomaram dose alguma. A vacina só não é recomendada em casos específicos, como quando existe uma baixa na imunidade por qualquer motivo. Vale conversar com o médico da família.
Minha sugestão, porém, é que todos recebam o imunizante. Catapora nunca foi brincadeira de criança. É uma infecção altamente contagiosa — milhares de vírus se concentram no líquido que preenche as bolhinhas espalhadas pela corpo. Eles também estão muito presentes na saliva e, se a pessoa doente tosse, logo entram em outra vítima que estiver por perto. Claro que a criançada é sempre mais exposta, até porque vive compartilhando brinquedos que leva à boca, por exemplo. Mas a doença não é menos desagradável nem menos perigosa na adolescência.
E qual o perigo? Além da febre, da perda de apetite, do mal-estar e da dor de cabeça forte, a marca registrada da catapora são bolhas por todo o corpo, inclusive no couro cabeludo, que levam uma semana para secar e formar a bendita casquinha. Até lá, coçam demais. Um prurido quase insuportável. O indivíduo, então, fica muito tentado a passar as unhas no local. Aí, com frequência, essas bolhas ou vesículas infeccionam, transformando-se em tremendas brechas para infecções mais perigosas.
Não há nada a fazer, a não ser usar medicamentos que baixam a febre, amenizam a dor de cabeça e aliviam um pouco essa coceira. Daí, então, só resta reunir paciência e esperar passar —mas paciência é o que nem todo adolescente tem de sobra. Bom lembrar que as cicatrizes da catapora podem ficar para sempre. O mais grave, porém, é quando o vírus varicela avança e causa pneumonias graves e até encefalite. Não, não acontece com todo mundo, mas para que correr o risco? Costumo dizer que não existe carteira de vacinação completa — ora, a tarefa de cuidar da imunização nunca tem fim, até porque os conceitos da Medicina mudam e as prescrições, idem. O que existe é carteira de vacinação em dia. É o caso da carteirinha do seu adolescente ou ele ainda está devendo a tal segunda dose? Corra atrás disso. A época do ano certa é esta.

Sobre o autor

Maurício de Souza Lima é hebiatra, ou seja, um clí­nico geral especializado na saúde de adolescentes. Doutor em Medicina pela Universidade de São Paulo, é autor do livro “Filhos Crescidos, Pais Enlouquecidos” (Editora Landscape), vencedor do Prêmio Jabuti em 2007.

Sobre o blog

Aqui, Maurí­cio de Souza Lima pretende abordar de maneira leve e objetiva todas as questões de saúde que podem preocupar ou despertar a curiosidade dos próprios adolescentes e dos seus pais. Aliás, prefere dizer que irá falar sobre a saúde da juventude, lembrando que oficialmente a adolescência começa aos 10 anos, mas em tempos modernos, na prática, pode se estender para bem mais de 21 anos.

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