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Todo adolescente fica ansioso para ter barba cheia: o que fazer?

Maurício de Souza Lima

10/07/2019 04h00

Crédito: iStock

A onda da barba voltou. Se reparar, a maioria dos rapazes hoje em dia está com barba, bigode, cavanhaque…  Mesmo nos períodos em que isso andou meio fora de moda, os garotos ainda assim, depois de entrarem na adolescência, mostravam-se ansiosos pelo crescimento dos primeiros fios no rosto. Raspavam dois ou três pelos espalhados no queixo querendo vê-los nascer mais fortes e mais depressa, multiplicados, talvez para passar a lâmina novamente. 

Há no imaginário dos jovens uma associação entre o surgimento da barba e a ideia de virar homem adulto, viril, essas coisas… Pense então como está essa ansiedade agora, voltando a virar moda, quando todos os colegas começam aparecer barbados — uns com a barba fechada, outros com a barba rala. A estes digo: calma, uma barba cheia não surge da noite para dia, ainda mais nessa faixa de idade.

O crescimento de pelos no rosto obedece a dois fatores. Um deles é a genética. Se nem o pai nem outros homens da família têm uma barba com fios espessos cobrindo boa parte do rosto, não adianta olhar para a cara do vizinho na sala de aula: o jeito é se conformar, já que o fato é que existem meninos que simplesmente não herdaram genes capazes de transmitir essa característica. E aí não adiantará ficar passando produto na pele para reverter a situação e acabar com as falhas. Isso não irá funcionar. 

Atualmente, há muitas falsas promessas na internet de loções que acelerariam o crescimento da barba. Cuidado. Elas não só são ineficazes se não há a tal da informação genética herdada, como podem conter substâncias capazes de interferir nos hormônios. O mesmo conselho — cautela —  vale para certos remédios geralmente usados para tratar a calvície. Seu uso, ainda que se trate de um medicamento conhecido, precisa ser muito bem analisado — repito, se não houver uma genética favorável, o resultado será insatisfatório — e sempre com supervisão médica, sob pena de efeitos colaterais importantes, como o excesso de certos minerais no organismo, cujo acúmulo pode ser arriscado para a saúde.

Os hormônios são o segundo fator por trás do aparecimento da barba. Um interfere no outro e é preciso que a orquestra hormonal esteja perfeitamente harmônica para que os fios cresçam na velocidade de  1 centímetro por mês, mais ou menos, que é aquela considerada normal.

No entanto, se o cortisol do estresse está em excesso, por exemplo, a gente precisa ter claro que esse é um quadro que pode tanto desacelerar o crescimento de fios— na cabeça, inclusive — quanto provocar a sua queda. Ou seja, no caso da barba, o cortisol em doses mais elevadas do que o ideal favorece falhas. Então, veja: por incrível que pareça, em tese o equilíbrio emocional e a maior capacidade para lidar com períodos cansativos, como o de provas e vestibulares, facilitariam a realização do desejo de ficar com o rosto barbado.

Na mesma linha, devemos nos lembrar que a falta de boas noites de sono também atrapalha a produção hormonal. Portanto, indiretamente, a insônia é um obstáculo aos planos de deixar a barba crescer. Assim como uma dieta desequilibrada, sem porções adequadas de todos os nutrientes, incluindo doses generosas de vitaminas e sais minerais presentes em frutas, legumes e verduras.

Daí que a pergunta sobre o que fazer para ter uma barba cheia tem uma resposta muito simples: comer direito, dormir direito e ser realista. Ou melhor, paciente.

Sobre o autor

Maurício de Souza Lima é hebiatra, ou seja, um clí­nico geral especializado na saúde de adolescentes. Doutor em Medicina pela Universidade de São Paulo, é autor do livro “Filhos Crescidos, Pais Enlouquecidos” (Editora Landscape), vencedor do Prêmio Jabuti em 2007.

Sobre o blog

Aqui, Maurí­cio de Souza Lima pretende abordar de maneira leve e objetiva todas as questões de saúde que podem preocupar ou despertar a curiosidade dos próprios adolescentes e dos seus pais. Aliás, prefere dizer que irá falar sobre a saúde da juventude, lembrando que oficialmente a adolescência começa aos 10 anos, mas em tempos modernos, na prática, pode se estender para bem mais de 21 anos.

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