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Blog do Maurício de Souza Lima

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Férias: oportunidade de fazer o seu filho participar mais da rotina da casa

Maurício de Souza Lima

03/07/2019 04h00

Crédito: iStock

As aulas terminam e, quando não há oportunidade de a família viajar, com frequência as queixas dos pais aumentam no seguinte sentido: eles reclamam que aí mesmo é que mal veem os filhos. É a tal história do adolescente que dorme tarde, acorda depois do horário do almoço, muitas vezes sai à noite…

 Ninguém aqui está dizendo para a moçada não aproveitar esses dias de descanso. Mas também não podemos negar que esse período cria ou acentua uma verdadeira diferença de fuso horário entre os filhos adolescentes e os seus pais. Uns dormem enquanto os outros estão acordados e vice-versa, para início de conversa. Até porque, antes, não existiam smarthphones e redes sociais para que os jovens ficassem acordados até altas horas. Não quero bancar o saudosista, apenas observo o que se passa de diferente.

Por isso mesmo, penso que algumas regras precisam ser acordadas entre os garotos e os adultos durante as férias. Uma delas é estabelecer um horário de encontro — seja o jantar ou o almoço, por exemplo, quando for mais fácil para todos. Estabelecer que o filho ou a filha pode ter digamos, horários mais flexíveis nesses dias, mas que sentar-se à mesa naquela refeição combinada é um encontro marcado — e sagrado — entre eles. Ou nada feito. Se esse esquema não se encaixar direito na sua casa, talvez você possa fazer uma leve adaptação: dizer, por exemplo, que um dia determinado da semana, sábado ou domingo, é para acordar mais cedo e fazer um programa com toda a família, ficando juntos da manhã à noite. Pode funcionar, por que não? Justo para todos. Saudável para pais e filhos adolescentes.

 No entanto, tão importante quanto manter o contato ou até aproveitar a chance das férias para deixar clara a importância dessa convivência entre vocês, é tirar também proveito das férias para inserir o jovem na rotina da família e do funcionamento da cada com pequenas responsabilidades — pagar uma conta de banco, trocar lâmpadas queimadas, fazer supermercado ou qualquer um conserto doméstico, ajudar na limpeza. Tarefas simples que, nos dias atuais, até porque os adolescentes de hoje têm de fato uma rotina muito atribulada de compromissos escolares, deixam de ser divididas com eles. E isso não é lá muito certo, do meu ponto de vista.

Vou dar minha impressão: entregar algumas tarefas importantes para o funcionamento da casa nas mãos dos nossos filhos os ajuda no processo de amadurecimento. A fruta não surge na cozinha por geração espontânea — ora, alguém vai ao mercado. A roupa não vai parar na máquina de lavar sozinha. O chão não vive limpo sem a vassoura. Alguém precisa, sim, levar o cachorro para tomar banho ou para passear. Por aí.

Enfim, a vida dos adultos, para a qual nossos adolescentes se preparam, têm mesmo essas pequenas obrigações lado a lado com o trabalho no escritório ou onde for. É bom que nossos filhos se acostumem e cresçam como indivíduos que entendam na prática o significado da colaboração quando pessoas moram sob o mesmo teto.  Sugiro uma agenda ou um calendário marcando alguns afazeres importantes para a rotina da casa e uma divisão de tarefas diferenciada nesse período. De maneira leve. Nas férias, por que não?

Sobre o autor

Maurício de Souza Lima é hebiatra, ou seja, um clí­nico geral especializado na saúde de adolescentes. Doutor em Medicina pela Universidade de São Paulo, é autor do livro “Filhos Crescidos, Pais Enlouquecidos” (Editora Landscape), vencedor do Prêmio Jabuti em 2007.

Sobre o blog

Aqui, Maurí­cio de Souza Lima pretende abordar de maneira leve e objetiva todas as questões de saúde que podem preocupar ou despertar a curiosidade dos próprios adolescentes e dos seus pais. Aliás, prefere dizer que irá falar sobre a saúde da juventude, lembrando que oficialmente a adolescência começa aos 10 anos, mas em tempos modernos, na prática, pode se estender para bem mais de 21 anos.

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