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Meninos se preocupam com o comprimento do pênis sem ter noção de tamanho

Maurício de Souza Lima

29/05/2019 04h00

Crédito; iStock

Recentemente, pesquisadores do King's College London, na Inglaterra, publicaram um levantamento curioso: eles mediram o pênis ereto de 15.521 rapazes no início da vida adulta de diversas nacionalidades. Assim, calcularam um tamanho médio de 13 centímetros. Precisamente, 13,2 centímetros. A partir do dado, uma proposta é criar uma espécie de curva de crescimento, como aquelas que medem a estatura de crianças. No caso, para avaliar o desenvolvimento do pênis dos adolescentes, sendo que os 13 centímetros seriam apenas um parâmetro.

Mas eu garanto: se eu mostrar para um garoto uma régua de 13 centímetros, ele provavelmente vai me dizer que o pênis em ereção deveria ter mais do que isso. Muitos jovens não têm noção de tamanho. Outros, preocupados com o pênis, evoluem para uma dismorfia, um medo exagerado de ter algum defeito corporal. E aí mora o perigo de apelarem para métodos duvidosos prometendo aumentar o tamanho do dito-cujo. Eles não têm o menor aval científico e muitas vezes colocam a saúde em ciladas.

Existem várias hipóteses para explicar essa mania de grandeza, por assim dizer. Uma delas: a rapaziada assiste demais a vídeos pornôs, acessíveis em qualquer celular. Bem, alguém precisa chegar para esses adolescentes e dizer que não vale a comparação com os atores desses filmes. Eles não estão lá à toa: provavelmente foram escolhidos no casting justamente por causa de um tamanho de pênis que sai fora da curva do crescimento normal. 

Outra causa é comum desde que a adolescência é adolescência: cada menino fala para o colega o que quer e a fantasia corre solta. A questão é que o outro acredita nas façanhas mirabolantes relatadas. Para não dizer, grandiosas. 

Existe também algum constrangimento quando se olham no espelho em vestiários e locais do gênero, sem enxergar em si próprios nada descomunal. Vale aqui eu lembrar — tirando o "descomunal" de lado — que algumas associações não fazem o menor sentido. Por exemplo: o tamanho do pênis flácido não indica que ele será maior ou menor do que o pênis do outro, uma vez ereto. Este é um ponto. 

Outro coisa a ser esclarecida: não há ciência alguma em ideias como a de que o tamanho dos pés entregariam a medida do pênis. Nem sequer existe lógica em imaginar que meninos mais altos têm pênis maiores do que meninos mais baixos ou vice-versa. Portanto, comparações e deduções são perdas de tempo e só alimentam preocupações tolas na cabeça de quem está iniciando sua vida sexual. Aliás, alguns levam esse tipo de pensamento para a idade adulta.

Por falar nisso, em vida sexual,  os meninos precisam saber que homens, digamos, muito avantajados às vezes provocam dor na parceira. E mais: em matéria de prazer, as terminações nervosas que levariam a garota às nuvens ficam na primeiríssima porção do canal vaginal. Em tese, o pênis nem precisaria daqueles 13 centímetros para alcançá-las e esse tamanho cai bem mais para questões de fecundação, entregando os espermatozóides em um ponto mais próximo de onde poderia estar o óvulo — um encontro que, esperamos, os adolescentes evitem, usando camisinha e métodos contraceptivos porque ninguém vai querer ser pai tão cedo.

Em relação ao tamanho do pênis, vale eu chamar a atenção  que a ansiedade  costuma ser maior no início do estirão da puberdade. Explico: os primeiros a crescer são os testículos. O pênis só esticará de tamanho cerca de um ano a um ano e meio depois. Nesse período, por causa da desproporção com as bolas mais graúdas, a impressão talvez seja a de que o pênis é ainda menor do que de fato é. 

Pior ainda para os garotos que estão sofrendo de obesidade. O tecido adiposo se acumula no baixo ventre e então o pênis fica literalmente embutido. Mas, se o menino afastar essa camada de pele, verá que a base do órgão estará escondida, mais para baixo. 

O importante é a conversa aberta e franca, evitando que as expectativas aumentem mais do que o próprio pênis. Para isso, os meninos precisam saber: 13 centímetros, um pouco mais ou um pouco menos, estão de bom tamanho.

Sobre o autor

Maurício de Souza Lima é hebiatra, ou seja, um clí­nico geral especializado na saúde de adolescentes. Doutor em Medicina pela Universidade de São Paulo, é autor do livro “Filhos Crescidos, Pais Enlouquecidos” (Editora Landscape), vencedor do Prêmio Jabuti em 2007.

Sobre o blog

Aqui, Maurí­cio de Souza Lima pretende abordar de maneira leve e objetiva todas as questões de saúde que podem preocupar ou despertar a curiosidade dos próprios adolescentes e dos seus pais. Aliás, prefere dizer que irá falar sobre a saúde da juventude, lembrando que oficialmente a adolescência começa aos 10 anos, mas em tempos modernos, na prática, pode se estender para bem mais de 21 anos.

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