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O uso dos patinetes elétricos por adolescentes merece certa supervisão

Maurício de Souza Lima

22/05/2019 04h00

Crédito: iStock

Os acidentes envolvendo meios de transporte estão entre as principais causas evitáveis de traumatismos graves e até mesmo de mortes. Veja, falei em "acidentes envolvendo meios de transporte" porque, se eu mencionasse a palavra "trânsito", todos iam logo pensar em carro. Mas o assunto desta vez é patinete. Sim, o singelo patinete, agora em versão elétrica, encontrado em muitas calçadas de cidades como São Paulo.

Embora ele devesse ser pilotado por maiores de 18 anos, por ser encontrado em qualquer esquina, já se transformou no jeito cool do garoto ou da garota chegar na escola, voltar para casa literalmente correndo evitando a bronca pelo atraso, fazer aquele favor contra a vontade de ir até a padaria ou a outro canto sem se cansar…

Acontece que a qualidade das calçadas e dos asfaltos nas ruas brasileiras não é das melhores. O controle da velocidade nesses patinetes, para os que estão menos acostumados, pode enganar — eles aceleram mais do que muitos imaginam. As curvas e outras manobras em velocidade mal controlada ou os solavancos ao passar por cima de buracos fazem a pessoa cair — e a queda pode ser feia, inclusive atingindo pedestres ou, bem pior, lançando o usuário para a frente de automóveis que estejam passando bem naquele instante. E, assim  os tombos — atenção, sem capacete — se tornam muito frequentes. Sem contar atropelamentos.

Não estou falando que é preciso ter destreza especial para sair com os patinetes elétricos por aí. Nem que o garoto deveria só subir em um deles com capacete — quer dizer, na boa, pensando em saúde, até deveriam, mas o propósito dos patinetes espalhados pela cidade é servirem de transporte improvisado, decidido na última hora para facilitar ou agilizar um trajeto.

A saída, ao meu ver, é os pais terem ciência e, sim, apesar de o garotão fazer aquela cara de mico, dar um mínimo de orientação. Inclusive sobre como deixar o tal patinete depois do uso, pois há uma tendência de serem deixados atravessados no meio da rua — e, aí, a falta de educação não tem idade, muitas vezes é coisa de adulto mesmo.

Parece óbvio, você vai pensar, chamar a atenção do seu filho ou filha para semáforos, por exemplo. Lembrar de buracos nas redondezas, também. Saber se ele já usou antes, quem sabe. Será mesmo? Nunca podemos nos esquecer que uma característica da adolescência, que ocorre até por falta de amadurecimento do córtex pré-frontal no cérebro, é uma certa incapacidade de prever acidentes. Isso corrobora para o adolescente achar que nada acontecerá com ele. Ele se achará invulnerável, para não dizer eterno. Até o primeiro tombo.  

Melhor os pais ficarem mais espertos. Patinete elétrico é bacana? Pode até ser. Mas exige mais cuidado do que sair de bicicleta por aí, penso. Até porque, na bike, pelo menos o seu filho estará usando o tal capacete, certo?

Sobre o autor

Maurício de Souza Lima é hebiatra, ou seja, um clí­nico geral especializado na saúde de adolescentes. Doutor em Medicina pela Universidade de São Paulo, é autor do livro “Filhos Crescidos, Pais Enlouquecidos” (Editora Landscape), vencedor do Prêmio Jabuti em 2007.

Sobre o blog

Aqui, Maurí­cio de Souza Lima pretende abordar de maneira leve e objetiva todas as questões de saúde que podem preocupar ou despertar a curiosidade dos próprios adolescentes e dos seus pais. Aliás, prefere dizer que irá falar sobre a saúde da juventude, lembrando que oficialmente a adolescência começa aos 10 anos, mas em tempos modernos, na prática, pode se estender para bem mais de 21 anos.

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