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Verão e pós-férias: está aberta a temporada das micoses nos adolescentes

Maurício de Souza Lima

13/02/2019 04h00

Crédito: iStock

No verão, os fungos aprontam em pessoas de qualquer idade. Em parte pelo calor, em parte pelo clima úmido que domina muitas regiões do país, criamos todas as condições para que eles se desenvolvam. Mas ouso dizer, pela observação do dia a dia no consultório, que são bem frequentes na adolescência. 

Os jovens voltam do período de praia e piscina apresentando, entre outras micoses, a pitiríase versicolor, aquelas manchas claras pelo corpo, mais conhecidas como pano branco. O problema pode ser causado pela levedura Malassezia furfur  ou pelos fungos Pityrosporum orbiculare e Pityrosporum ovale. 

Tem ainda a Tinea cruris, que provoca erupções vermelhas na virilha, nas nádegas, nos genitais. E, para complicar o grupo dos tipos mais comuns, a Tinea corporis, que provoca manchas rosadas na pele, em qualquer parte do corpo, as quais costumam descamar e coçar demais. Sem falar no fantástico mundo das micoses que acometem os pés e as unhas. Esse, eu diria, é um vasto universo à parte.

Particularmente acho que os jovens são presas fáceis para as micoses do verão por conta de alguns hábitos. Apressados, saem do banho rápido e mal se enxugam direito. Ou seja, agravam o fator umidade. Ainda podem passar o dia com aquele calção ou biquíni molhados, alterando mar e areia, cadeira e piscina porque nunca se cansam de ficar sob o sol e dar seus mergulhos. 

Meninas, então, muitas vezes penduram a calcinha no chuveiro durante as férias e acabam vestindo uma peça que não está completamente seca. Aliás, injustiça: os rapazes também fazem isso com as cuecas. São hábitos que devem ser corrigidos, por assim dizer, para evitar micoses em geral. 

Mas o grande problema, ao meu ver — e ele começa agora —, é que, ao buscar ajuda médica na volta das férias, a garotada nem sempre tem paciência para seguir o recomendado. Ora, o fungo é um bichinho difícil de derrotar. O tratamento demora semanas ou meses, diferentemente de uma infecção por bactéria em que o antibiótico tomado pelo tempo prescrito, que não costuma ultrapassar os dez dias, já resolve a situação. 

Aqui é diferente. O tratamento se prolonga bastante. Aliás, por falar em antibiótico, o uso desse tipo de medicação também pode favorecer micoses, derrubando a barreira natural de bactérias na pele que evitariam a proliferação dos fungos — e isso somado ao calor e a umidade… Claro que os fungos logo se aproveitam desse conjunto de fatores.

O maior erro é interromper o tratamento quando essas manchas na pele causadas por eles, por exemplo, aparentemente somem. Isso não é, em princípio, garantia de que o causador do problema foi embora. E depois, sem o remédio, ele volta a crescer, tornando-se mais e mais forte e exigindo um tratamento ainda mais longo e potente.

Sobre o autor

Maurício de Souza Lima é hebiatra, ou seja, um clí­nico geral especializado na saúde de adolescentes. Doutor em Medicina pela Universidade de São Paulo, é autor do livro “Filhos Crescidos, Pais Enlouquecidos” (Editora Landscape), vencedor do Prêmio Jabuti em 2007.

Sobre o blog

Aqui, Maurí­cio de Souza Lima pretende abordar de maneira leve e objetiva todas as questões de saúde que podem preocupar ou despertar a curiosidade dos próprios adolescentes e dos seus pais. Aliás, prefere dizer que irá falar sobre a saúde da juventude, lembrando que oficialmente a adolescência começa aos 10 anos, mas em tempos modernos, na prática, pode se estender para bem mais de 21 anos.

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