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Entrar na adolescência é sempre uma suadeira e isso merece um desodorante

Maurício de Souza Lima

23/01/2019 04h00

Crédito: iStock

A entrada na adolescência e a ebulição hormonal dessa fase têm uma consequência que, muitas vezes, cheira mal: a transpiração se torna muito mais intensa do que na infância. Na realidade, às vezes tão intensa que o menino ou a menina se vê a todo instante com discos molhados marcando roupa, bem na área das axilas — imagine então em um calor como o desses dias que estamos enfrentando!

Mas nem é preciso um clima tão quente para a testa viver úmida. Gotículas formam um estranho "bigode" e, às vezes, nem as palmas das mãos escapam. Se há uma situação de ansiedade, toda essa molhadeira piora de vez. O esporte também, claro, faz o suor aumentar bastante — afinal, sempre que alguém pratica uma atividade física, o corpo produz esse líquido para refrescar sua superfície e equilibrar sua temperatura.

Graças ao suor abundante, porém, fazem a festa aquelas bactérias que produzem o célebre "c.c.", o cheiro de corpo. Sim, a proliferação delas tem muito mais a ver com a quantidade de suor disponível do que com a presença de pelos nas axilas, fique sabendo. E isso pode incomodar bastante o adolescente e todos os que estiverem com seu nariz por perto.

Não é hora de se preocupar com uma eventual transpiração excessiva. Ela pode se normalizar com o tempo. Assim como a menstruação das meninas, até que todos os seus hormônios sexuais se acomodem,  às vezes permanece desregulada em um primeiro momento da adolescência, dando as caras um mês sim, um mês não — ou, ao contrário, descendo duas vezes no espaço de trinta dias —, a produção exagerada das glândulas sudoríparas também costuma se resolver depois de baixar a poeira hormonal. O jeito é esperar um pouco.

No entanto, se a situação demora mais para ficar sob controle e começa a causar qualquer espécie de constrangimento, o médico deve ser avisado. Hoje em dia, existem maneiras de solucionar a sudorese excessiva e, se for o caso, ele deverá encaminhar o adolescente a um colega dermatologista para que esse especialista estabeleça a estratégia mais adequada de tratamento.

Uma coisa é certa: ninguém precisa conviver com o odor ruim ou aguardar a coisa feder para usar um desodorante. O melhor seriam os pais, quando notarem alguns sinais da entrada na adolescência no filho ou na filha — quem sabe uma penugem no corpo ou, no caso das garotas, o aparecimento do broto mamário, por exemplo — lhes entregarem o primeiro desodorante. E explicarem que, dali em diante, o garoto ou a garota deverá usá-lo logo após o banho, tornando-se mais um hábito, como pentear os cabelos ou escovar os dentes. Isso evita que o jovem passe apuros na escola, entre outros lugares. Porque a meninada não perdoa quando sente o "cc" de um colega. E, cá entre nós, nem os adultos aguentam, embora disfarcem mais o mal-estar. Moral da história:  tornar-se adolescente é, ou deveria ser, se transformar em um consumidor de desodorante.

Sobre o autor

Maurício de Souza Lima é hebiatra, ou seja, um clí­nico geral especializado na saúde de adolescentes. Doutor em Medicina pela Universidade de São Paulo, é autor do livro “Filhos Crescidos, Pais Enlouquecidos” (Editora Landscape), vencedor do Prêmio Jabuti em 2007.

Sobre o blog

Aqui, Maurí­cio de Souza Lima pretende abordar de maneira leve e objetiva todas as questões de saúde que podem preocupar ou despertar a curiosidade dos próprios adolescentes e dos seus pais. Aliás, prefere dizer que irá falar sobre a saúde da juventude, lembrando que oficialmente a adolescência começa aos 10 anos, mas em tempos modernos, na prática, pode se estender para bem mais de 21 anos.

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