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O adolescente parece fazer bem duas coisas ao mesmo tempo. Só que não…

Maurício de Souza Lima

09/01/2019 04h00

Crédito: iStock

De vez em quando, a gente até pode sentir certa inveja: o filho ou a filha consegue ler, ouvir música, responder o WhatsApp  e ainda, se duvidar, espichar os olhos para a tela do computador. É aquela história: tudo ao mesmo tempo agora.

Há uma impressão de que, por terem crescido em um mundo cheio de novas tecnologias, as gerações mais recentes se tornaram multitarefas, enquanto nós, os mais velhos, nos atrapalhamos completamente ao tentar fazer duas coisas ao mesmo tempo. Mas isso é um engano. A rapaziada também tem dificuldade. Pelo menos, depois de meia hora.

Recentemente, vi um trabalho curioso de cientistas da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, e resolvi contar um pouco sobre ele aqui. Os pesquisadores selecionaram 192 jovens universitários. Todos foram obrigados a ler um mesmo texto. Só que, para alguns, ao mesmo tempo em que a tarefa da leitura era executada, surgiam distrações ao seu redor, como imagens, alertas sonoros de computador e até mesmo músicas. 

No final, os participantes tinham de se lembrar de palavras que haviam acabado de ler. O curioso: nos primeiros trinta minutos, o grupo inteiro até que se saía bem. Mas passado esse curto período…

O que os pesquisadores da Califórnia constataram foi que, depois de meia hora, havia uma queda absurda da memória entre os que fizeram a leitura em meio a distrações que simulavam o dia a dia de um jovem ao estudar, por exemplo. E isso quando comparados a uma parte do grupo que simplesmente leu o texto em silêncio.

Nosso mundo, hoje, é repleto mesmo de distrações tentadoras. E a impressão que temos é de que somos capazes de nos adaptar a conviver com todas elas. Mas os sons e as imagens ao nosso redor atrapalham o foco e, desse jeito, as informações terminam não sendo arquivadas direito. Claro, fácil entender; quanto maior o número de estímulos, pior foi a performance da memória na investigação dos americanos.

Em relação à música, que muita gente coloca para tocar na hora do trabalho ou de estudar, uma curiosidade: ela revelou um enorme potencial de roubar a concentração. Especialmente aquelas melodias muito conhecidas ou com letras. Os pesquisadores sugerem que isso acontece porque a mente do indivíduo, ainda que ele mal se dê conta, pode divagar em lembranças de situações em que se ouviu a mesma canção. Portanto, se o garoto ou a garota faz questão de uma música na hora de estudar, o ideal seria que fosse aquele som ambiente — mas, tenho a impressão, ele não faz parte da playlist da moçada.

Sobre o autor

Maurício de Souza Lima é hebiatra, ou seja, um clí­nico geral especializado na saúde de adolescentes. Doutor em Medicina pela Universidade de São Paulo, é autor do livro “Filhos Crescidos, Pais Enlouquecidos” (Editora Landscape), vencedor do Prêmio Jabuti em 2007.

Sobre o blog

Aqui, Maurí­cio de Souza Lima pretende abordar de maneira leve e objetiva todas as questões de saúde que podem preocupar ou despertar a curiosidade dos próprios adolescentes e dos seus pais. Aliás, prefere dizer que irá falar sobre a saúde da juventude, lembrando que oficialmente a adolescência começa aos 10 anos, mas em tempos modernos, na prática, pode se estender para bem mais de 21 anos.

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