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Entenda por que consumir MDMA é um dos piores jeitos de começar 2019

Maurício de Souza Lima

02/01/2019 04h00

Se há uma droga em ascensão entre os jovens, é o MDMA, sobre a qual já andei falando neste espaço. Mas vale voltar ao tema agora, já que as baladas do começo do ano prometem terminar com o sol já alto no horizonte. Para alguns, é normal o uso de estimulantes para ter pique madrugada afora até o dia raiar. 

Recentemente, a equipe do laboratório de farmacologia da Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre concluiu uma revisão que levanta pontos importantes para a gente alertar a respeito do MDMA, ainda mais nesta época.

O primeiro deles: a composição, como já se suspeitava, varia muito de um comprimido para outro. Por isso, é uma missão impossível dizer a partir de qual dose o MDMA deixa de fazer a alegria ilusória da festa para os seus usuários aumentando a sensação de tato, elevando auto-estima e dando gás extra para passar a intoxicar de modo intenso e grave.

O uso abusivo leva a desmaios e a convulsões capazes de ser fatais. Mas aí é que está: qual a medida do abuso diante da variação incrível de formulações? Saiba que, até mesmo por causa das discrepâncias nas fórmulas, algumas dessas "balas" fazem efeito em 20 minutos e outras, só em 60.

Muitas vezes, o jovem que já consumiu um MDMA mais veloz no passado, por assim dizer, estranha a demora quando resolve retomar a experiência. Então, por equívoco, desconfia que engoliu algo mais fraco, não aguenta esperar e pede um segundo comprimido. Aí já viu…Somam-se duas doses. Ao lado do álcool, então, nem se fala: a bebida costuma ampliar reações adversas clássicas, como a hipertermia, causando a suadeira, a sede e a desidratação.

Sem contar que essas reações dependem da sensibilidade de cada organismo. Para algumas pessoas, aliás, não é preciso ter uma overdose de MDMA para que se formem minúsculos trombos, isto é, coágulos por todo o corpo. Eles costumam entupir os delicados vasos dos rins, que são feito peneiras finas por onde o sangue passa para ser filtrado. Daí pode acontecer uma perigosa insuficiência renal aguda.

Eu também não posso entender como alguém quer aceita os efeitos residuais dessa droga: fadiga e, apesar dela, insônia. Pior, até depressão. Sim, o levantamento gaúcho aponta que os quadros depressivos são frequentes quando a festa acaba e podem durar, assim como as dores musculares, por até longas duas semanas. Um jeito triste de começar o ano.

 

 

 

Sobre o autor

Maurício de Souza Lima é hebiatra, ou seja, um clí­nico geral especializado na saúde de adolescentes. Doutor em Medicina pela Universidade de São Paulo, é autor do livro “Filhos Crescidos, Pais Enlouquecidos” (Editora Landscape), vencedor do Prêmio Jabuti em 2007.

Sobre o blog

Aqui, Maurí­cio de Souza Lima pretende abordar de maneira leve e objetiva todas as questões de saúde que podem preocupar ou despertar a curiosidade dos próprios adolescentes e dos seus pais. Aliás, prefere dizer que irá falar sobre a saúde da juventude, lembrando que oficialmente a adolescência começa aos 10 anos, mas em tempos modernos, na prática, pode se estender para bem mais de 21 anos.

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