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Celular não deveria ir para a cama com o adolescente. Vício tem solução?

Universa

13/06/2018 04h00

Crédito: iStock

Uns dormem mais, outros dormem menos, mas em geral o ser humano foi feito para dormir bem à noite. No caso do adolescente, a média ideal seria na faixa entre oito e nove horas de sono. E esse tempo adormecido deveria ser em total escuridão– dica que vale para pessoas de qualquer idade. Existem razões fisiológicas para isso.

Nossos antepassados entravam na caverna ao anoitecer e só saiam de lá quando sol raiava o sol. O organismo humano evoluiu nessas condições, estabelecendo ritmos sincronizados com esse ciclo. Varar a madrugada — e fazer isso com frequência, como é o hábito de muitos jovens — decididamente atrapalha o seu funcionamento. Os pais e os próprios adolescentes, no fundo, já sabem de toda essa história. Mas aí como será que fica a situação em tempos nos quais todos levam o celular para a cama?

Desde que as luzes artificiais surgiram, começamos a encolher o período em que ficamos adormecidos. O sono foi se tornando mais curto e fracionado — é o programa de tevê tarde da noite, é a luz acesa no criado-mudo para a leitura… Mas o celular tem seus agravantes.

Primeiro, porque emite ondas que chamamos de luz azul. Ela, mais do que outros tipos de luz, atrapalha a secreção de um hormônio produzido pela glândula pineal, localizada no cérebro — eu me refiro à melatonina. Essa substância induziria a um sono de qualidade. Se reparar, quando ficamos olhando para o celular no travesseiro, acabamos adormecendo por exaustão — não se trata daquela sonolência natural que chega mais mansa, a que seria proporcionada pela melatonina.

Em relação à TV — que também emite ondas capazes de atrapalhar a síntese da melatonina —, apesar de achar que o seu lugar seria a sala em vez do ambiente do quarto, acho que ela tem uma ligeira vantagem. Ao assistir a um programa na televisão, somos passivos, enquanto o celular muitas vezes nos leva a interagir, deixando a mente muito ativa.

É realmente tentador, especialmente para os jovens que adoram a convivência com o seu grupo de amigos, ficar conversando até altas pelas redes sociais, comentando posts uns dos outros ou trocando mensagens. E isso — olhe lá! — quando não estão jogando online. Afinal, a maioria desses jogos que antes eram apenas para computador, agora podem ser acessados pelos aparelhinhos. Daí é aquela história: eles vão para o quarto, se deitam, mas ficam acordados mesmo assim. No dia seguinte é uma batalha árdua na hora de acordar.

Na escola, o rendimento deixa de ser o mesmo. O cérebro é o primeiro a sofrer com a falta de sono. Não absorve direito novas informações.  Aliás, provavelmente também não gravou bem as do dia anterior, porque é durante uma boa noite de sono que o sistema nervoso transforma lembranças de curta duração em memórias de longa duração, sedimentando as experiências e os aprendizados adquiridos ao longo do dia.

O que fazer? Boa pergunta. Acho que os pais devem dar o exemplo. É comum que adultos e adolescentes levem o celular para o quarto com a desculpa de que o aparelho é usado na função despertador na manhã seguinte. Meu conselho: comprem um despertador e deixem todos o celular carregando na sala.

Se isso não for possível, ao menos todos — repito, todos da casa — devem deixar o celular carregando no quarto, mas em uma tomada distante da cabeceira. Você certamente ouvirá reclamações ou talvez até mesmo faça coro na queixa: sim, nas primeiras noites será difícil pegar no sono. A sensação será de insônia. Mas deixe o quarto com as luzes completamente apagadas, persianas fechas e insista. Em alguns dias, o organismo se acostuma com aquilo que deveria ser natural: dormir ao se deitar num quarto escuro.

Sobre o autor

Maurício de Souza Lima é hebiatra, ou seja, um clí­nico geral especializado na saúde de adolescentes. Doutor em Medicina pela Universidade de São Paulo, é autor do livro “Filhos Crescidos, Pais Enlouquecidos” (Editora Landscape), vencedor do Prêmio Jabuti em 2007.

Sobre o blog

Aqui, Maurí­cio de Souza Lima pretende abordar de maneira leve e objetiva todas as questões de saúde que podem preocupar ou despertar a curiosidade dos próprios adolescentes e dos seus pais. Aliás, prefere dizer que irá falar sobre a saúde da juventude, lembrando que oficialmente a adolescência começa aos 10 anos, mas em tempos modernos, na prática, pode se estender para bem mais de 21 anos.

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