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Blog do Maurício de Souza Lima

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Por que a adolescência é a idade da doença do beijo e o que você deve saber

Maurício de Souza Lima

30/05/2018 04h00

Crédito:iStock

O vírus Epstein-Barr é muito sensível às condições do ambiente, o que dificultaria demais a sua transmissão se ele não se desse tão bem na saliva. Portanto, não passa quando alguém infectado está ao seu lado. No entanto, se resolver beijar essa pessoa na boca, a história será outra: não à toa, a infecção que o Epstein-Barr provoca, a mononucleose, é conhecida como a doença do beijo e seu pico de incidência é na faixa dos 15 aos 25 anos, em plena adolescência.

Nessa idade, os jovens paqueram, namoram, beijam uns aos outros com maior frequência. Assim, a probalidade de que “fiquem” com alguém carregando o vírus é mais alta. Na fase adulta logo adiante, mesmo que continuem beijoqueiros, a tendência é não acontecer nada, porque provavelmente já tiveram contato com o vírus quando eram adolescentes e, então, formaram anticorpos de defesa. Tem mais esta: só se pega mononucleose uma vez na vida. Ainda bem, porque ela causa um tremendo desconforto.

Hoje em dia, infelizmente, encontramos meninos e meninas que contraem mononucleose porque compartilham cigarros eletrônicos, vapes e narguiles em festas.  E essas formas de compartilhamento também fazem com que um acabe engolindo a saliva do outro. O vírus ataca a faringe e os gânglios, que incham bastante.

A garganta, extremamente dolorida, fica coberta de pontos  esbranquiçados e isso faz muita gente se confundir e pensar que se trata de uma infecção por bactéria. Muitas vezes, só um exame de sangue pode desfazer o nó da dúvida, acusando a presença do Epstein-Barr. Mas, como ele nem sempre ele dá um resultado positivo nos primeiros dias, mais fácil o médico pedir, de cara, um teste de muco da garganta para descartar a hipótese de existir uma bactéria por trás da infecção.

A temperatura de quem tem mononucleose sempre sobe bastante: o termômetro fica marcando entre 38 e 40 graus de febre, sem ceder por um período que vai de cinco a dez dias . Faz parte do quadro, ainda, alterações nas enzimas do fígado e um crescimento do baço.

O baço, aliás, é mais um motivo para o garoto ou a garota não    inventar moda enquanto não estiver plenamente recuperado. O certo é só ser liberado do repouso quando o tamanho desse órgão voltar ao normal. Até porque, inchado, ele ultrapassa a muralha de proteção das costelas e fica vulnerável a impactos. É raro, mas pode acontecer de o menino ou a menina, ao se sentir um pouco melhor, ir para o treino de esporte, levar uma pancada na barriga sem querer e sofrer um rompimento perigoso desse órgão. O baço, diga-se, volta ao tamanho normal quando a infecção passa.

É bem verdade que, em geral, quem está infectado nem tem ânimo para sair da cama mesmo. Os medicamentos só funcionam para diminuir o desconforto, aliviando dores e baixando a um pouco a temperatura. Já quem, por equívoco, sai tomando antibióticos à toa — antibióticos só agiriam se a infecção fosse por bactérias — , ainda se vê às voltas com reações de pele. Sim, tomar um desses remédios quando se tem monóculos provoca placas avermelhadas e ásperas pelo corpo, que somem quando o antibiótico é interrompido. Mas ele nem deveria ter sido cogitado, não é mesmo?

Sobre o autor

Maurício de Souza Lima é hebiatra, ou seja, um clí­nico geral especializado na saúde de adolescentes. Doutor em Medicina pela Universidade de São Paulo, é autor do livro “Filhos Crescidos, Pais Enlouquecidos” (Editora Landscape), vencedor do Prêmio Jabuti em 2007.

Sobre o blog

Aqui, Maurí­cio de Souza Lima pretende abordar de maneira leve e objetiva todas as questões de saúde que podem preocupar ou despertar a curiosidade dos próprios adolescentes e dos seus pais. Aliás, prefere dizer que irá falar sobre a saúde da juventude, lembrando que oficialmente a adolescência começa aos 10 anos, mas em tempos modernos, na prática, pode se estender para bem mais de 21 anos.