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Ejaculação precoce é mais comum em adolescentes do que muitos imaginam

Maurício de Souza Lima

18/09/2019 04h12

Crédito: iStock

A vida sexual é um aprendizado e, portanto, faz todo o sentido que o corpo de um garoto, se adaptando à prática, às vezes perca o timing de uma relação e ele não consiga controlar minimamente o instante de ejacular. Isso pode durar alguns meses ou alguns anos. Se alguém me pergunta o que significaria "precoce" em uma situação dessas, eu diria que seria antes da hora em que o adolescente gostaria que acontecesse — definição que também valeria para homens adultos. Sei, sei, é algo muito relativo.

Então, vamos lá. Existe, para início de conversa, a ejaculação precoce primária, uma disfunção que, quando acontece, aparece sempre, desde as primeiríssimas relações, em geral por uma sensibilidade excessiva da glande. Em casos assim, o rapaz ejacula depois de menos de um minuto de duração do ato sexual — e olhe lá. Muitas vezes, o sêmen jorra antes mesmo de ele tirar a roupa. Aí é mesmo uma situação mais complicada, que pode impedir o sexo de realmente acontecer. No entanto, eu preciso dizer: é raríssima.

Na maior parte dos episódios, o que existe é a ejaculação precoce secundária e, aí, entramos no território da relatividade. O que define a queixa do jovem é, como já expliquei, ejacular antes do que ele gostaria. Não existe um tempo certo, abaixo do qual cravamos o diagnóstico. Sabemos que, em geral, a ejaculação que motiva a ida ao consultório acontece antes de três minutos de transa. Para ter o parâmetro, a maioria das pesquisas afirma que o tempo médio para um homem ejacular em relações consideradas satisfatórias para os parceiros é de 5 minutos — atenção, 5 minutos de movimentação contínua estimulando o pênis na penetração ou com as mãos. Aquele tempo, seja ele maior ou menor, de carícias e preliminares, a rigor não contaria aqui. Mas questiono: dá para sermos tão rigorosos, ainda mais no início da vida sexual?

Repito, na adolescência, pela falta de prática e do conhecimento das reações do próprio corpo em um momento de transa, muitos rapazes já gozam nas tais preliminares. Não há nada de errado nisso, ou seja, um ocorrido ou outro não se configura em ejaculação precoce. Para falarmos que o problema existe, é preciso que esse tipo de coisa se repita sempre ou, ao menos, com muita frequência pelo período de seis meses. Então, claro, vale uma consulta ao urologista.

Dou logo a boa notícia: tanto a ejaculação precoce primária quanto a secundária têm tratamento médico. Mas a segunda pode ter causas psicológicas — há muita ansiedade envolvida nesse começo da vida sexual — e até mesmo comportamentais. Sim, comportamentais.

Um período mais longo sem atividade sexual — masturbação incluída — pode apressar a ejaculação, por exemplo. A posição no instante do sexo também conta. Homens ejaculam mais depressa com a musculatura das pernas contraídas, algo que os adolescentes vão percebendo com a prática. Assim, manter as coxas bem relaxadas, ficando por baixo da outra pessoa entre outras possibilidades de postura, pode ajudar quem ainda está, digamos, acumulando horas de treino para controlar melhor sua ejaculação.

O uso da camisinha facilita bastante para quem teme ser muito apressadinho  — será que, aqui, eu preciso repetir que ela é necessária por questões de segurança acima de tudo e não só para retardar a ejaculação? Aproveito e deixo esse lembrete. Sobre a escolha da camisinha, aconselho os meninos a preferirem aquelas que não são tão finas, prometendo maior sensibilidade. Elas podem ser ótimas em outros períodos da vida, mas a intenção para controlar a ejaculação é fazer o inverso, ou seja, dificultar a sensibilidade. Então, as camisinhas mais espessas caem como luva.

Aproveito para dar a seguinte orientação: o álcool não compensa.  Aviso isso porque os meninos não demoram para notar que, depois de consumir bebida alcoólica, a ejaculação parece demorar mais para rolar. E aí aquele drinque parece a solução de todos os problemas, porque relaxa o rapaz para a paquera e a abordagem, sendo que, de quebra, parece fazer com que as coisas durem mais. Mas é um ledo engano, por diversos motivos. Não vou listá-los e ficarei só no sexo: além de, embriagados, os meninos cometerem o erro de dispensar o preservativo com maior frequência, correndo o risco de contrair doenças, uma dose de álcool a mais poderá ser suficiente para causar outra espécie de problema, isto é, dificultar a ereção. Aí, não haverá nem sequer ejaculação, certo?

Sobre o autor

Maurício de Souza Lima é hebiatra, ou seja, um clí­nico geral especializado na saúde de adolescentes. Doutor em Medicina pela Universidade de São Paulo, é autor do livro “Filhos Crescidos, Pais Enlouquecidos” (Editora Landscape), vencedor do Prêmio Jabuti em 2007.

Sobre o blog

Aqui, Maurí­cio de Souza Lima pretende abordar de maneira leve e objetiva todas as questões de saúde que podem preocupar ou despertar a curiosidade dos próprios adolescentes e dos seus pais. Aliás, prefere dizer que irá falar sobre a saúde da juventude, lembrando que oficialmente a adolescência começa aos 10 anos, mas em tempos modernos, na prática, pode se estender para bem mais de 21 anos.

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