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O sarampo voltou e muitos adolescentes precisam tomar a segunda dose vacina

Maurício de Souza Lima

03/04/2019 04h00

Crédito: iStock

Desde 2015 o vírus do sarampo não apresentava-se em São Paulo. Chegaram a comemorar a erradicação da doença no Brasil, só que lamentavelmente essa festa aconteceu cedo demais. Já temos casos no Norte e Nordeste do país e, agora, na semana passada, surgiu um episódio na capital paulista. Na minha opinião, ninguém deve menosprezar a notícia, pensando ser algo isolado. Tampouco quero criar pânico e fazer previsões catastróficas de epidemias. É preciso bom senso. 

E bom senso é lembrar que ninguém precisa se aterrorizar, mas também não dá para esquecer que estamos diante de um dos vírus que têm maior potencial de transmissão. É o retrato falado do que podemos chamar de um mal altamente contagioso.

Pelas secreções respiratórias, o vírus do sarampo passa de uma pessoa para outra com tremenda facilidade. E não se acanha se ela já é bem crescida. Trata-se de uma doença que ficou conhecida como se fosse típica da infância — de fato, pela imaturidade do sistema imunológico, é mais comum nos primeiros anos de vida —, mas aviso que o sarampo ataca gente de qualquer idade sem fazer cerimônia.

As manifestações  dessa infecção creio que todos conhecem bem: além da febre e da quebradeira, deixando os olhos vermelhos a ponto de se confundir com uma bela gripe logo no comecinho, ela provoca lesões por toda a pele. São as populares manchas vermelhas. 

Se ficasse só nisso, no lado mais divulgado da história, seria fácil. Mas o vírus também ataca pra valer os pulmões. Pode ele próprio causar uma pneumonia grave. E. se não faz isso, castiga tanto esses órgãos que eles se tornam presa fácil de bactérias oportunistas, que chegam para atacá-los logo na sequência. O risco de morte — sinto assustar — existe. E isso quando o vírus do sarampo ainda não leva a  otites e até mesmo a danos no sistema nervoso. Para que ficar a mercê da ameaça?

Vale olhar a carteirinha de vacinação do seu filho.  O imunizante existe desde os anos 1960, mas muitos adolescentes não tomaram a segunda dose. São as duas doses que garantem a proteção completa. Isso só não vale para quem já passou dos 30. Aí, até por conta de que provavelmente seu organismo já se expôs ao vírus nessa altura da vida, a dose única basta.

Na dúvida se o menino ou a menina tomou ou não tomou as duas doses na infância, melhor procurar se vacinar, não sem antes conversar com o seu médico, claro. Mas acho que meu colega concordará: uma  terceira dose não aumentará a proteção, caso as duas anteriores tenham sido aplicadas, mas também não fará mal. Precaução com o sarampo nunca é em excesso.  O mesmo vale para os adultos da casa. Todos, se não têm certeza se já tiveram sarampo ou se chegaram a tomar as duas doses da vacina no tempo certo, melhor que procurem se imunizar. As reações são praticamente inexistentes. Os benefícios,  ao meu ver, incontestáveis.

Sobre o autor

Maurício de Souza Lima é hebiatra, ou seja, um clí­nico geral especializado na saúde de adolescentes. Doutor em Medicina pela Universidade de São Paulo, é autor do livro “Filhos Crescidos, Pais Enlouquecidos” (Editora Landscape), vencedor do Prêmio Jabuti em 2007.

Sobre o blog

Aqui, Maurí­cio de Souza Lima pretende abordar de maneira leve e objetiva todas as questões de saúde que podem preocupar ou despertar a curiosidade dos próprios adolescentes e dos seus pais. Aliás, prefere dizer que irá falar sobre a saúde da juventude, lembrando que oficialmente a adolescência começa aos 10 anos, mas em tempos modernos, na prática, pode se estender para bem mais de 21 anos.

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